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BRB investiu R$ 1,5 bi em fundos ligados à Reag após Operação Carbono Oculto

O Banco de Brasília (BRB) realizou a compra de R$ 1,5 bilhão em ativos vinculados a fundos administrados pela Reag, mesmo após a instituição ter sido alvo de investigação da Polícia Federal por suspeitas de lavagem de dinheiro. A operação envolveu ativos com baixa transparência e estrutura complexa, levantando alertas internos sobre riscos elevados e falta de visibilidade, informa Demétrio Vecchioli, do Metrópoles, com base em documentos obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI).

As transações foram aprovadas pelas instâncias decisórias do banco antes mesmo da conclusão de análises de risco que apontavam similaridades com práticas investigadas na Operação Carbono Oculto.

As negociações ocorreram de forma acelerada, com quatro operações concluídas em 30 de setembro de 2025, permitindo que os ativos fossem incorporados aos balanços trimestrais. Na prática, o BRB substituiu carteiras consideradas problemáticas do Credcesta por novos ativos que aparentavam maior solidez, embora carregassem riscos estruturais semelhantes.

Um parecer interno elaborado pela Diretoria de Finanças e Controladoria (Dific) e pela Superintendência de Operações Financeiras (Suope) indicava que a situação exigia cautela redobrada, destacando “risco elevado e prazo exíguo” para avaliação. Ainda assim, as operações foram aprovadas.

Entre os negócios, o BRB adquiriu 100% das cotas do fundo FIP SH por R$ 350 milhões. O fundo detinha participação de 30% na Stellcorp, empresa do setor de casas modulares, o que acabou tornando o banco sócio do empresário Roberto Justus — fato que ele próprio afirmou ter descoberto apenas em janeiro de 2026. O acordo incluiu desconto de 33,25% nas ações e cláusula que favorecia o vendedor: eventuais ganhos futuros seriam compartilhados, enquanto perdas ficariam exclusivamente com o BRB.

Relatórios internos alertaram que o fundo era administrado pela Reag, instituição investigada, e que o Banco Master enfrentava “múltiplas investigações e com risco elevado de solvência”. Também foi apontado que o fundo tinha apenas um cotista e investia em ativo único, com baixa liquidez e retorno incerto, o que foi classificado como “uma situação indesejável para fins de PLD/FTP (Prevenção à Lavagem de Dinheiro e Combate ao Financiamento do Terrorismo)”.

Outra operação relevante envolveu o fundo FIP Trevi, ligado ao FIP Novo Bairro. Apesar da ausência de informações atualizadas sobre a origem dos recursos, o ativo foi adquirido após uma reavaliação que elevou artificialmente o valor de um empreendimento de R$ 400 mil para R$ 1,7 bilhão. Com isso, ativos que anteriormente teriam valor residual passaram a ser negociados por centenas de milhões de reais.

Também foram investidos R$ 315 milhões na aquisição de 70% do fundo imobiliário Brazil Realty, cuja estrutura foi descrita como “altamente concentrada e composta por ativos com baixa visibilidade pública”. O fundo envolvia uma cadeia complexa de investimentos imobiliários, incluindo projetos em Minas Gerais, terrenos superavaliados e ativos com características questionáveis.

Um dos pontos que chamou atenção foi a avaliação de um terreno em Contagem (MG), cujo metro quadrado foi estimado em R$ 3,9 mil, apesar de referências locais indicarem valores próximos de R$ 984 — uma diferença de quatro vezes. O imóvel ainda apresentava limitações físicas, como proximidade com linha férrea e formato irregular.

A quarta operação envolveu a compra de participação no fundo Strelitzia FIP, com investimento de R$ 350 milhões. O fundo detinha 39% do Grupo Alife Nino, do setor de bares e restaurantes. Apesar de ser o único ativo com lastro mais sólido, o valor pago foi considerado elevado, já que, em 2024, uma participação menor no mesmo grupo havia sido avaliada em valor proporcional inferior.

Mesmo após o agravamento da situação do Banco Master, novas aquisições foram aprovadas em novembro de 2025. O BRB desembolsou mais R$ 481 milhões em ativos, incluindo fundos administrados pela própria Reag e por outras instituições também envolvidas na investigação.

Relatórios técnicos indicavam deterioração financeira do Master e destacavam incertezas sobre os ativos adquiridos. Em um dos casos, o banco comprou participação em empresa sem operação e com inconsistências cadastrais. Em outro, adquiriu ações que sofreram forte desvalorização após a negociação.

No conjunto das operações, os documentos internos apontam que o BRB assumiu riscos relevantes ao adquirir ativos de baixa transparência e estrutura complexa, muitos deles ligados a instituições já sob investigação, em decisões tomadas sob pressão de tempo e com informações incompletas.

Com informações do Brasil247

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