A pressão política para o afastamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a crescer nos últimos dias, impulsionada por declarações controversas do próprio chefe da Casa Branca e por uma elevação significativa nas apostas sobre sua possível remoção com base na 25ª Emenda da Constituição americana. As informações foram publicadas pela revista Newsweek.
Segundo dados do mercado de previsões Kalshi, a probabilidade de Trump ser retirado do cargo por meio da 25ª Emenda chegou a 39% na manhã de segunda-feira, um dos níveis mais altos desde seu retorno à presidência. Na sexta-feira anterior, essa chance era estimada em 32%. Já na plataforma Polymarket, a probabilidade de remoção ao longo de 2026 subiu de cerca de 12% para 14%.
O que é a 25ª Emenda
A 25ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos, ratificada em 1967, estabelece mecanismos para lidar com situações em que o presidente não possa exercer suas funções. O trecho mais controverso — e raramente utilizado — permite que o vice-presidente e a maioria do gabinete declarem o presidente “incapaz de desempenhar os poderes e deveres do cargo”.
Nesse caso, o vice assume imediatamente como presidente interino. O presidente afastado pode contestar a decisão, o que leva o Congresso a deliberar sobre o caso. Para manter o afastamento, é necessária maioria qualificada nas duas casas legislativas.
Diferentemente do impeachment, a 25ª Emenda não exige a comprovação de crime. Ela se baseia na avaliação de incapacidade física ou mental para governar.
Declarações de Trump alimentam crise
A escalada recente ocorre após uma publicação de Trump na rede Truth Social, no domingo de Páscoa, em meio à guerra envolvendo o Irã. No texto, o presidente utilizou linguagem agressiva e fez ameaças diretas relacionadas ao Estreito de Ormuz.
“Terça-feira será o Dia das Usinas e o Dia das Pontes, tudo ao mesmo tempo, no Irã. Não haverá nada igual!!! Abram o maldito estreito, seus loucos, ou vocês vão viver no inferno — APENAS OBSERVEM! Louvado seja Alá”, escreveu Trump.
A postagem gerou forte reação entre opositores, que passaram a defender abertamente a aplicação da 25ª Emenda.
Democratas intensificam críticas
O senador democrata Chris Murphy afirmou: “Se eu estivesse no gabinete de Trump, passaria a Páscoa ligando para advogados constitucionalistas sobre a 25ª Emenda. Isso é completamente, absolutamente insano. Ele já matou milhares. Vai matar muitos mais”.
Já a deputada Melanie Stansbury declarou: “O imperador está nu. É hora da 25ª Emenda. O Congresso e o gabinete precisam agir”.
Outras vozes também se somaram às críticas. O senador estadual Nate Blouin disse: “Apoio os apelos para invocar a 25ª Emenda e, caso isso não aconteça, o próximo Congresso precisa estar preparado para avançar com um processo de impeachment”.
O comentarista Mehdi Hasan questionou: “Como isso não é um caso para a 25ª Emenda?”.
E Anthony Scaramucci, ex-diretor de comunicações de Trump, afirmou: “Foi exatamente para situações como esta que nossos fundadores imaginaram a necessidade de remover um homem desequilibrado do comando do Executivo”.
Cenário político e limites reais
Apesar da pressão crescente, não há qualquer sinal concreto de que o vice-presidente JD Vance ou membros do gabinete estejam dispostos a acionar a 25ª Emenda. Pelo contrário, aliados do presidente seguem demonstrando apoio firme, especialmente em relação à condução da guerra contra o Irã.
Especialistas destacam que mercados de previsão refletem expectativas em tempo real, mas não necessariamente indicam que haverá uma ação política concreta.
Guerra e instabilidade ampliam tensão
O aumento das apostas também ocorre em meio à escalada do conflito com o Irã, incluindo a derrubada de um caça americano F-15E e uma operação de resgate de um aviador dos Estados Unidos. O contexto de guerra, somado ao tom das declarações presidenciais, intensifica o debate sobre estabilidade institucional.
Mesmo sem sinais práticos de movimentação dentro do governo, a pressão política tende a continuar crescendo, especialmente entre parlamentares democratas e setores críticos à condução da política externa americana.
Com informações do Brasil247
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