Lula reúne ministros para debater medidas contra endividamento das famílias

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu ministros no Palácio do Planalto para discutir medidas voltadas à redução do endividamento das famílias, incluindo a criação de um novo programa de renegociação com descontos que podem chegar a até 80%, informa o jornal O Globo. A iniciativa busca aliviar o peso das dívidas no orçamento doméstico e enfrentar um cenário que preocupa o governo a poucos meses do processo eleitoral.

Participaram do encontro o vice-presidente Geraldo Alckmin e integrantes da equipe econômica, como Dario Durigan (Fazenda), Bruno Moretti (Planejamento), Luiz Marinho (Trabalho), Esther Dweck (Gestão) e o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello.

Nos bastidores, o aumento do endividamento das famílias tem sido apontado como um fator que pressiona a avaliação do governo. O diagnóstico é que o problema se agravou nas últimas semanas, influenciado pelo patamar elevado dos juros, o que tem limitado a recuperação financeira dos consumidores.

Ainda durante a campanha de 2022, Lula havia prometido enfrentar o alto nível de endividamento herdado do período anterior. Em 2023, já no início do mandato, o governo lançou o programa Desenrola, voltado à renegociação de dívidas. No entanto, três anos depois, os indicadores permanecem próximos aos registrados naquele período.

Dados oficiais mostram que o endividamento das famílias atingiu um pico em julho de 2022, quando a relação entre o total de dívidas e a renda acumulada em 12 meses chegou a 49,9%, desconsiderando o financiamento imobiliário. O índice encerrou aquele ano em 49% e voltou a subir, alcançando 49,7% em janeiro de 2026, último dado disponível. Além disso, o comprometimento da renda com parcelas atingiu um recorde de 29,3%.

O plano em análise prevê a criação de uma nova rodada de renegociação, com formato mais enxuto e duração reduzida em relação ao Desenrola. A proposta deve priorizar modalidades com juros mais elevados, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, indicou que a intenção é viabilizar descontos de até 80% sobre o valor das dívidas, combinados com o refinanciamento do saldo restante. Também está em debate a possibilidade de estabelecer limites para as taxas de juros nos novos contratos, medida que vem sendo considerada pelo setor financeiro diante das garantias que podem ser oferecidas pelo governo.

Com informações do Brasil247

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