Conforme a Quaest, houve leve evolução de Lula em alguns recortes de segundo turno, além de melhora em indicadores de imagem
A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest indica um cenário aberto para a eleição presidencial de 2026, com divisão regional entre os dois principais candidatos – o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Divulgado nesta quarta-feira (6), o levantamento foi feito em dez estados que concentram 75% do eleitorado nacional.
Segundo a Quaest, cada um dos concorrentes lidera em cinco unidades da federação. Lula tem boa vantagem em quatro estados (Bahia, Ceará, Pará e Pernambuco), além de estar numericamente à frente em Minas Gerais (mas aqui em empate técnico, dentro da margem de erro). Apesar do equilíbrio territorial, os dados revelam trunfos importantes para Lula na largada da disputa.
Redutos e o caso Minas
Nas sondagens de segundo turno, o presidente mantém desempenho consistente no Nordeste, liderando com margem mais confortável na Bahia (55% a 22%), no Ceará (56% a 28%) e em Pernambuco (57% a 23%). A região segue como principal ativo eleitoral lulista.
Além disso, a pesquisa expõe competitividade em estados de peso eleitoral, como Minas Gerais, onde Lula oscilou dois pontos para cima e segue à frente nos números (39% a 36%). Minas surpreende pela elevada taxa (a maior entre os dez estados) do chamado “não voto”: 20% dos mineiros dizem que vão votar em branco, anular o voto ou se abster – um contingente que amplia a margem de oscilação e pode redefinir o resultado no estado. Historicamente decisivo, Minas pode funcionar como fiel da balança.
Houve leve evolução de Lula em alguns recortes de segundo turno, além de melhora em indicadores de imagem. A redução de resistência em segmentos do eleitorado é fator decisivo em contextos de forte polarização.
Se por um lado Lula mantém força em regiões-chave, por outro ainda enfrenta dificuldades em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, onde Flávio Bolsonaro lidera. A reversão – ou ao menos redução dessas desvantagens – será decisiva nas urnas. Em contrapartida, Flávio demonstra dificuldade de expansão nesses estados, num problema clássico de candidaturas ancoradas mais na rejeição ao adversário do que na própria capacidade de projeção.
Aprovação e avaliação
A pesquisa traz ainda indicadores do governo que ajudam a explicar a resiliência eleitoral de Lula, mesmo com a clivagem regional. Enquanto o presidente sofre com índices de desaprovação mais elevados no Sul e Centro-Oeste, ele mantém saldo positivo em quatro estados: Pernambuco, Bahia, Ceará e Pará.
Nacionalmente, o levantamento consolida 43% de aprovação contra 52% de desaprovação. A avaliação qualitativa do governo também reflete essa divisão: 31% consideram a gestão positiva, 26% regular e 42% negativa. Os números mais expressivos de aprovação são justamente nos estados onde Lula lidera a corrida presidencial.
Mesmo com níveis de crítica, o presidente mantém uma base relevante de avaliação positiva (ótimo/bom), o que sustenta seu potencial competitivo. Em eleições presidenciais, a aprovação do governo costuma se refletir diretamente na intenção de voto.
A corrida começa com Lula na posição de incumbente, o que historicamente amplia a capacidade de produzir fato político, pautar o debate e mobilizar a máquina de governo. Se conseguir converter os êxitos da gestão em percepção mais ampla entre o eleitorado – e percepção em voto –, Lula ganhará ainda mais competitividade.
A cinco meses das eleições, os números da Quaest apresentam um quadro em movimento que não garante favoritismo, mas indica algo mais importante neste momento: Lula entra na disputa com base preservada, sinais de recuperação e condições reais de construir maioria.
A pesquisa Genial/Quaest entrevistou 11.646 pessoas, em dez estados, de 21 a 28 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais em São Paulo e de três pontos nos demais estados.
VERMELHO
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