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Vigilância Sanitária e PF combatem pirataria de canetas emagrecedoras

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Anvisa e PF se unem em força conjunta para conter aumento de comercialização e circulação clandestina do medicamento. Investigações mostram uma explosão de páginas irregulares na web oferecendo produtos sem comprovação de origem

Agência Nacional de Vigilância Sanitária e a Polícia Federal (PF) formalizaram acordo de cooperação para enfrentar a circulação irregular de medicamentos injetáveis usados no tratamento da obesidade. A iniciativa foi apresentada na reunião da diretoria da Anvisa e prevê atuação coordenada contra produção, importação e comercialização fora das normas sanitárias.

Estimativas indicam que o mercado ilegal de canetas emagrecedoras no Brasil pode movimentar cerca de R$ 600 milhões. Esse valor baseia-se na premissa de que as autoridades conseguem apreender apenas cerca de 5% de todo o volume que circula clandestinamente no país.

O volume em circulação vem aumentando exponencialmente. Em 2024, a Receita Federal apreendeu 2.500 unidades, porém, em 2025, esse número saltou para 30 mil canetas. Em abril, a PF, com apoio da Anvisa, deflagrou a Operação Reven, cujo saldo mostra que apenas nos primeiros três meses de 2026 foram apreendidas cerca de 55 mil unidades ilegais — quase o total apreendido em todo o ano anterior.

Segundo Daniel Pereira, diretor da Anvisa, a medida tenta conter a venda de itens sem registro e sem comprovação de procedência, com presença crescente em plataformas digitais. “A articulação responde ao aumento de eventos adversos ligados ao uso desses medicamentos sem prescrição ou com origem desconhecida”, afirmou.

A parceria consolida experiências anteriores realizadas em operações conjuntas, como a Heavy Pen, que cumpriu mandados judiciais e executou ações de fiscalização em diferentes estados. De acordo com Pereira, “o modelo integrado permite atuação preventiva baseada em evidências e amplia a capacidade de resposta diante da dimensão do problema”.

Os medicamentos apreendidos passarão por análise conjunta, combinando perícia criminal com suporte técnico sanitário. O objetivo é identificar a composição das substâncias e verificar os riscos associados ao consumo. “Para a autoridade sanitária, isso permite avaliar o impacto direto à saúde. Para o Estado, fortalece investigações e interrompe cadeias organizadas”, explicou Pereira.

As investigações revelam estruturas organizadas com atuação interestadual e uso de meios digitais para ampliar a oferta. A importação irregular e a circulação de substâncias sem registro são considerados crimes. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Neuton Dornelas, “ninguém deve utilizar medicamentos complexos sem indicação adequada, pois substâncias não registradas representam risco significativo”.

Dornelas destacou ainda que sintomas gastrointestinais, tromboses, infecções e casos de pancreatite estão entre os efeitos colaterais. “Quando não se conhece a composição dos produtos, os efeitos podem ser inesperados e de alta gravidade”, observou.

Em São Paulo, o Ministério Público denunciou um casal pela comercialização e armazenamento de canetas emagrecedores irregulares, à base da substância tirzepatida, em uma loja de celulares de Piracicaba (SP). Segundo o MP-SP, a Vigilância Sanitária chegou ao local após divulgações dos produtos clandestinos em redes sociais. A medicação, apreendida em 4 de dezembro de 2025, não tinha registro na Anvisa. Na loja de celulares, foi encontrado, até mesmo, um espaço com maca para aplicação dos medicamentos.

Com informações do Correio Braziliense

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