Três anos após a intentona golpista que atacou as sedes dos Três Poderes, o Brasil voltou às ruas nesta quinta-feira (8) para reafirmar o compromisso com a democracia. A data será marcada por atos, debates e atividades culturais em diversas cidades do país, com destaque para Brasília, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa de uma programação oficial em memória do 8 de janeiro de 2023 e deve anunciar sua decisão sobre o chamado Projeto de Lei da Dosimetria.
No contexto dessas mobilizações, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) divulgou um vídeo nas redes sociais, acompanhado de uma legenda publicada nesta quinta-feira (8), em que convoca a sociedade a se organizar para impedir o avanço de iniciativas que, segundo ele, representam anistia aos responsáveis pela tentativa de golpe. Na postagem, o parlamentar afirma: “8 de janeiro de 2026. Há três anos tentavam dar um golpe na nossa democracia. De lá pra cá, vivemos muita coisa. Mas o fato é que temos pela primeira vez na nossa história um ex-presidente e generais presos por tentativa de golpe”.
No vídeo, Lindbergh relembra o ambiente vivido em Brasília durante os ataques e faz um balanço do período posterior. “Eu me lembro, estava aqui em Brasília há três anos, daquela tentativa de golpe. De lá para cá houve muita coisa. Tentaram obstruir, Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos fazendo pressão, Lei Magnitsky, sanções, tarifas. Mas o fato é que a gente chega hoje, 8 de janeiro de 2026, com generais golpistas e com o ex-presidente Jair Bolsonaro julgados, condenados e presos”, declarou. Segundo ele, o desfecho representa uma vitória institucional: “Foi uma longa luta. Ganhou o Brasil, ganhou a nossa soberania”.
O deputado também comentou a expectativa em torno da decisão do presidente Lula sobre o projeto aprovado pelo Congresso que reduz penas de condenados pelos atos golpistas. Para Lindbergh, a proposta não corresponde ao que seu nome sugere. “Hoje o presidente Lula deve vetar aquele projeto da Dosimetria, que não é dosimetria coisa nenhuma. É anistia para golpista”, afirmou, defendendo que a pressão social será decisiva na etapa seguinte do processo legislativo.
Na avaliação do parlamentar, o Congresso vai tentar derrubar um eventual veto presidencial, o que exigiria ampla mobilização. “Esse é um teste para a democracia brasileira. É um escândalo o Legislativo achar que pode interferir diretamente num julgamento concreto para diminuir a pena de Jair Bolsonaro”, disse. Ele lembrou o placar da votação anterior e projetou o desafio político: “Na hora da votação do projeto eles tiveram 291 votos na Câmara e 48 no Senado. (…) Eles precisariam ter 257 votos na Câmara. Se a gente trabalhar direito a gente consegue reverter 34 votos”.
Como estratégia de engajamento, Lindbergh propôs transformar o período que antecede o Carnaval em um momento de protesto contínuo. “A gente tem que fazer agora nesse pré-Carnaval o pré-Carnaval do ‘sem anistia’, ‘dosimetria não’, ‘sem anistia para golpista’”, afirmou, defendendo que a articulação social pode alterar o cenário político.
8 de janeiro de 2026. Há três anos tentavam dar um golpe na nossa democracia. De lá pra cá, vivemos muita coisa. Mas o fato é que temos pela primeira vez na nossa história um ex-presidente e generais presos por tentativa de golpe. Agora Lula deve vetar o projeto de diminuição de… pic.twitter.com/VMXWpjl249
— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) January 8, 2026
As declarações do deputado se somam a uma ampla agenda nacional de atividades em defesa do Estado Democrático de Direito. Em Brasília, além dos atos na Praça dos Três Poderes e no Palácio do Planalto, o Supremo Tribunal Federal promove o evento “Democracia Inabalada: 8 de janeiro – Um dia para não esquecer”, com exposição, documentário e debates sobre os impactos institucionais dos ataques de 2023.
Manifestações também ocorrem em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Belém, além de cidades do interior. Com o lema “Brasil nas ruas pela democracia”, a mobilização busca manter viva a memória dos ataques, reforçar a responsabilização dos envolvidos e consolidar o 8 de janeiro como um marco permanente de defesa das liberdades democráticas no país.
Originalmente publicado em Brasil247
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