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Trump diz que controle dos EUA sobre a Venezuela durará ‘muito tempo’ e escancara interesse pelo petróleo

"Vamos usar petróleo e vamos extrair petróleo”, diz o presidente norte-americano em entrevista

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que espera que o governo norte-americano mantenha uma supervisão direta sobre a Venezuela por um período prolongado, possivelmente por anos. Em entrevista concedida na noite de quarta-feira (7) ao The New York Times, ele indicou que Washington pretende administrar o país sul-americano e explorar suas vastas reservas de petróleo como parte de um suposto plano de reconstrução econômica.

Na entrevista de quase duas horas, Trump evitou estabelecer um prazo para o fim da presença política dos Estados Unidos na Venezuela. Questionado se o controle poderia durar meses ou mais de um ano, respondeu: “Eu diria muito mais tempo”.

Segundo Trump, o governo interino venezuelano — formado por aliados de Nicolás Maduro, sequestrado pelos EUA — estaria cooperando integralmente com os interesses norte-americanos. “Está nos dando tudo o que consideramos necessário”, afirmou. Ele também destacou o papel central do petróleo no plano anunciado: “Vamos reconstruí-la de uma maneira muito lucrativa. Vamos usar petróleo e vamos extrair petróleo. Estamos reduzindo os preços do petróleo e vamos dar dinheiro à Venezuela, que eles desesperadamente precisam”.

As falas do presidente ocorreram poucas horas depois de integrantes de sua administração informarem que os Estados Unidos planejam assumir, por tempo indeterminado, o controle da venda do petróleo venezuelano. A medida faz parte de um plano em três fases apresentado pelo secretário de Estado, Marco Rubio, a membros do Congresso norte-americano.

Enquanto parlamentares republicanos demonstraram apoio às ações do governo, democratas voltaram a alertar para o risco de uma intervenção internacional prolongada sem base legal clara. Trump, porém, não sinalizou recuo e reiterou que o tempo necessário para a supervisão ainda é incerto. “Só o tempo dirá”, disse.

Durante a entrevista, Trump abordou diversos outros temas, como imigração, a guerra entre Rússia e Ucrânia, a Groenlândia, a Otan e questões relacionadas à sua saúde e a reformas futuras na Casa Branca. No entanto, evitou responder por que reconheceu a vice-presidente de Maduro, Delcy Rodríguez, como nova líder da Venezuela, em vez de apoiar María Corina Machado, principal figura da oposição e vencedora do Prêmio Nobel da Paz.

Perguntado se havia conversado diretamente com Rodríguez, Trump não respondeu de forma objetiva, mas afirmou: “Marco fala com ela o tempo todo”, referindo-se a Rubio. Em seguida, acrescentou: “Vou dizer que estamos em comunicação constante com ela e a administração”. O presidente também não assumiu compromissos sobre a realização de eleições na Venezuela.

Durante a conversa com os repórteres, Trump interrompeu a entrevista para atender uma ligação do presidente da Colômbia, Gustavo Petro, dias após ameaçar ações militares contra o país por seu papel no tráfico internacional de cocaína. O presidente norte-americano convidou os jornalistas a permanecerem no Salão Oval durante a chamada, sob a condição de que o conteúdo ficasse em off.

Após a ligação, que durou cerca de uma hora, Trump ditou uma mensagem para suas redes sociais afirmando que Petro havia telefonado “para explicar a situação das drogas” provenientes de laboratórios rurais colombianos e que havia sido convidado a visitar Washington. A conversa indicou um arrefecimento temporário das tensões e afastou, ao menos naquele momento, a ameaça imediata de ação militar dos Estados Unidos.

Trump também celebrou o sucesso da operação que resultou no sequestro de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, após a invasão de um complexo fortemente protegido em Caracas. Segundo ele, a ação foi minuciosamente planejada, incluindo treinamentos em uma réplica em tamanho real do local construída em uma instalação militar no estado do Kentucky.

O presidente relatou que temia que a operação pudesse se transformar em um fracasso histórico. “Eu estava preocupado que pudesse acabar sendo um desastre de Jimmy Carter. Isso destruiu toda a administração dele”, disse, em referência à malsucedida tentativa de resgate de reféns no Irã, em 1980. Trump contrastou aquele episódio com o que classificou como êxito da operação na Venezuela, que, segundo relatos, deixou cerca de 70 mortos, entre venezuelanos e cubanos.

“Você sabe que não teve um Jimmy Carter batendo helicópteros por todo lado, que não teve um desastre do Afeganistão de Biden onde eles não conseguiam fazer a manobra mais simples”, afirmou, ao comparar a ação com a retirada caótica das tropas norte-americanas do Afeganistão, que resultou na morte de 13 militares dos Estados Unidos.

Originalmente publicado em Brasil247

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