O cessar-fogo entre Estados Unidos, Israel e Irã começou sob forte desconfiança e risco de colapso, com Teerã ameaçando abandonar a trégua diante da continuidade dos ataques israelenses ao Hezbollah, no Líbano, e sinalizando medidas no estratégico Estreito de Ormuz.
O acordo de duas semanas anunciado por Donald Trump já enfrenta obstáculos desde o primeiro dia. Israel manteve operações militares no território libanês, fora do escopo da trégua, e realizou um dos maiores ataques recentes contra instalações do Hezbollah, grupo aliado do Irã.
A Casa Branca confirmou ao site Axios que a frente de combate no Líbano não está incluída no cessar-fogo, o que intensificou a reação iraniana. Autoridades em Teerã passaram a considerar a saída do acordo, aumentando a instabilidade regional.
Em meio à escalada, há relatos de interrupções no tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, rota essencial para o comércio global de energia. Um número não especificado de petroleiros teria sido parado, indicando que o Irã mantém capacidade de pressionar o fluxo de petróleo mesmo sob ataque.
Paralelamente, o Irã continuou ofensivas contra países do Golfo Pérsico após o início da trégua. Kuwait, Qatar, Bahrein e Emirados Árabes Unidos foram atingidos por mísseis e drones. Segundo dados citados, os Emirados receberam 17 mísseis e 35 drones, sendo o território mais afetado.
Outro episódio relevante envolve um ataque a uma estação de bombeamento ligada a um oleoduto da Arábia Saudita, usado para exportação pelo mar Vermelho, conforme relato do Financial Times. Riad informou apenas ter interceptado nove drones.
No campo militar, o clima segue de alerta. O chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, general Dan Caine, declarou: “Vamos ser claros, o cessar-fogo é uma pausa, e as forças permanecem de prontidão”. Já o vice-presidente J. D. Vance classificou o acordo como uma “trégua frágil” dependente da postura iraniana.
Do lado iraniano, a desconfiança também predomina. A Guarda Revolucionária afirmou que não confia nos Estados Unidos e que negociará sob vigilância constante. O embaixador iraniano na ONU em Genebra, Ali Bahreni, disse à Reuters: “Nós não temos nenhuma confiança no outro lado. Nossas forças militares mantêm sua prontidão. Enquanto isso, vamos para as negociações para ver o quão sério o outro lado é”.
As negociações, previstas para ocorrer no Paquistão com mediação internacional, enfrentam impasses centrais. Entre eles, a exigência dos EUA para que o Irã abandone o enriquecimento de urânio, ponto rejeitado por Teerã. Donald Trump voltou a defender publicamente o veto ao programa nuclear iraniano.
A situação no Estreito de Ormuz permanece como eixo estratégico da crise. Com cerca de 1,4 mil navios ainda retidos na região, qualquer nova interrupção pode afetar diretamente os preços globais de energia. O Irã também indicou a possibilidade de impor pedágio à navegação, o que ampliaria os impactos econômicos.
Com informações do Brasil247
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