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Itamaraty “saúda” cessar-fogo no Irã e pede fim dos ataques ao Líbano

O governo brasileiro manifestou apoio ao cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã e defendeu a ampliação do acordo para incluir o Líbano, ao mesmo tempo em que cobrou a redução de ações militares e declarações que possam agravar o conflito no Oriente Médio. A posição ocorre após a trégua de duas semanas envolvendo o estratégico Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial.

O posicionamento foi anunciado um dia após o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e autoridades iranianas chegarem a um entendimento inicial. Em nota oficial, o Brasil afirmou que “expressa satisfação com a perspectiva de negociações para estabelecimento de acordo de paz abrangente”.

O comunicado também reforça a necessidade de cautela por parte dos envolvidos no conflito. “A fim de resguardar ambiente que conduza à redução de tensões e evite nova escalada, o Brasil conclama as partes a não se engajarem em ações de natureza militar ou retórica”, destacou o texto.

A manifestação brasileira acompanha uma série de reações da comunidade internacional após o anúncio do cessar-fogo. No entanto, cresce a pressão para que a trégua seja estendida ao Líbano, cenário de intensos confrontos ligados à disputa entre Israel e o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã.

O Brasil também defendeu a inclusão do território libanês nas negociações de paz. De acordo com o governo, o país enfrenta uma situação crítica. “Em decorrência dos intensos ataques israelenses, [o Líbano] vive grave crise humanitária, assolado por centenas de mortes, incluindo de civis, assim como por deslocamento forçado de parte significativa de sua população”, afirmou a nota oficial.

Nos últimos dias, novos bombardeios israelenses atingiram áreas do Líbano, com relatos de feridos encaminhados a hospitais em Beirute. Israel afirma que os alvos são ligados ao Hezbollah, organização considerada terrorista por diversos países.

O conflito entre Israel e Hezbollah se intensificou no início de março, após ataques do grupo ao território israelense em resposta a bombardeios realizados por Israel contra alvos no Irã. Desde então, o Líbano tem enfrentado uma escalada de violência, com milhares de vítimas.

Dados do governo libanês indicam que mais de 1.500 pessoas morreram e cerca de 4.800 ficaram feridas desde o início dos ataques. Além disso, parte significativa da população foi forçada a deixar suas casas.

Diante da instabilidade regional, embaixadas brasileiras no Oriente Médio passaram a emitir alertas a cidadãos. Representações diplomáticas em países como Bahrein e Emirados Árabes Unidos recomendaram que brasileiros avaliem a possibilidade de deixar essas localidades, diante da imprevisibilidade do conflito.

Em meio à trégua parcial, autoridades iranianas também sinalizaram possíveis respostas a ações recentes. Segundo relatos de agências estatais, forças militares do Irã estariam identificando alvos após acusarem Israel de violar acordos ao atacar posições associadas ao Hezbollah.

Confira a nota do Itamaraty na íntegra: 

O governo brasileiro saúda o anúncio, em 7 de abril, de cessar-fogo no contexto do conflito armado no Oriente Médio. Expressa satisfação com a perspectiva de negociações para estabelecimento de acordo de paz abrangente.


A fim de resguardar ambiente que conduza à redução de tensões e evite nova escalada, o Brasil conclama as partes a não se engajarem em ações de natureza militar ou retórica.
Assinala, ainda, a importância de que a cessação de hostilidades na região se estenda ao Líbano, país que, em decorrência dos intensos ataques israelenses, vive grave crise humanitária, assolado por centenas de mortes, incluindo de civis, assim como por deslocamento forçado de parte significativa de sua população.

Com informações do Brasil247

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