O que é o hantavírus, que foi encontrado em passageiros de um cruzeiro e já deixou três mortos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou a contaminação de cinco pessoas por hantavírus no cruzeiro MV Hondius, que saiu da Argentina no início de abril. Até o momento, três pessoas morreram. Nesta sexta-feira (8), a organização declarou que o risco de propagação do vírus na população é “extremamente baixo”.

“Trata-se de um vírus perigoso, mas unicamente para a pessoa realmente infetada. Quanto ao risco para a população em geral, continua sendo extremamente baixo. Não se trata de uma nova Covid”, declarou à imprensa em Genebra o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier.

Ao jornal É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, Elba Lemos, pesquisadora da Fiocruz, explica que a doença foi identificada pela primeira vez no Brasil em 1993 e é causada por um grupo de vírus que fica incubado em roedores silvestres que habitam, preferencialmente, regiões de mata. Ela também explica a forma mais comum de contágio.

“A transmissão vai acontecer quando se tem contato com o roedor infectado, por meio da inalação. Você inala aquelas partículas de vírus que estão contidas nas fezes, na urina, na saliva. Esta é a forma mais comum de transmissão, mas também pode acontecer pela mordedura do rato. Existe uma lá na Argentina e também no Chile, que tem uma forma peculiar, exclusiva de transmissão de pessoa a pessoa. Mas é muito rara, e isso tem que ficar muito claro”, afirma.

A pesquisadora também compara o tipo de transmissão do hantavírus com outras doenças mais populares. “Quando a gente fala de transmitir de pessoa para pessoa, a gente está falando de uma transmissão interpessoal. Se a gente for comparar com sarampo, por exemplo, ela tem uma capacidade de transmissão de uma pessoa para outra muito maior; é a doença que mais se transmite. Influenza também, quando a gente pensa também na Covid. Hantavírus não é assim. Essa situação é extremamente inusitada”, frisa.

A pessoa infectada começa a ter sintomas semelhantes aos da dengue: febre alta, dor de cabeça e no corpo, indisposição, náusea e desarranjos gastrointestinais. Lemos, no entanto, faz um importante alerta para uma característica da doença no continente americano: ela pode atacar os pulmões, o que vai gerar um quadro de tosse seca.

“Pode demorar um pouquinho, mas o indivíduo pode ter uma evolução muito rápida para uma ciência respiratória aguda. E é por isso que é muito importante, diante de uma suspeita de alguém com a síndrome pulmonar por hantavírus ou hantavirose, que esse paciente seja transferido de imediato para um hospital que tenha um CTI, porque ele vai precisar de um suporte respiratório”, explica.

Lemos também fala que não há vacina ou tratamento específico, apenas de suporte, e explica o nível de letalidade da doença. “São pouquíssimos casos [de hantavirose] que acontecem, são doenças mais raras, mas a letalidade é altíssima, pode chegar até 50%. Imagina de 100%, 100 pessoas, 50 evoluírem pro óbito, morrem. Então, o impacto dessa doença é por conta da letalidade”, destaca.

*Com informações do Brasil de Fato

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