Em entrevista à CBN, presidente eleito no Processo de Eleição Direta do PT fala em oportunidade histórica para a sociedade debater um projeto nacional de desenvolvimento do país
O futuro presidente nacional do Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras (PT), eleito pelo Processo de Eleição Direta (PED) do partido neste domingo (6), Edinho Silva, vê uma oportunidade histórica a construção de consensos em torno de uma agenda nacional, mesmo diante de divergências políticas no país. Para Edinho, a sociedade tem nas mãos a chance de debater um amplo projeto de desenvolvimento nacional. A avaliação foi feita na manhã desta terça-feira (8) em uma entrevista à Rádio CBN.
“O Brasil está diante de uma situação, inclusive, em alguns aspectos, eu acho que é uma oportunidade histórica de nós criarmos uma agenda para o país e sentar à mesa. Não tem problema o PT ter as suas posições e defender a sociedade, o PP ter as suas posições e defender a sociedade, o MDB, o PSD e assim por diante”, argumentou o petista. “Os partidos têm o direito de ter a sua agenda. Agora, em algum momento nós temos que sentar à mesa e dizer, olha, que legado nós vamos deixar para o país?”, afirmou Edinho.
Segundo ele, o Brasil só poderá avançar se houver disposição de todos os atores políticos em buscar convergência. “Os interesses do país têm que ser colocados, na minha avaliação, como prioridade”.
Sobre o embate entre o governo Lula e o Congresso Nacional em torno do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), Edinho disse que não deve ser motivo para romper o diálogo entre os Poderes.
“O governo tem todo o direito de dialogar com a sociedade”, disse. Para o dirigente petista, é legítimo que partidos e lideranças exponham suas concepções ao público, mas ressalvou que esse movimento precisa coexistir com a construção conjunta de soluções.
Debate tributário
Edinho defendeu as medidas do governo Lula para diminuir distorções do atual sistema tributário brasileiro, argumentando que a sociedade deve participar das discussões sobre o assunto. “Temos de discutir a questão da justiça tributária: que país nós queremos construir, na perspectiva de quem vai pagar impostos?”.
“Quando o Brasil chega numa situação de renúncia fiscal de R$ 860 bilhões é porque o conjunto da sociedade está pagando essa conta. Para que essa conta seja justa, o governo do presidente Lula estabeleceu que quem ganha até R$ 5 mil não tem de pagar imposto, e quem ganha até R$ 7 mil, paga menos”.
Para Edinho as desonerações não podem ser ‘Ad aeternum’ . “Quando se mantém a desoneração, setores da sociedade estão pagando por ela”, disse, em referência às isenções fiscais que beneficiam grandes grupos econômicos no país.
Lula tem força para governar
Questionado sobre a presidência de Lula diante das tensões recentes com o legislativo, Edinho negou qualquer risco à governabilidade. “Eu não acredito nisso. O governo do presidente Lula é um governo forte, é um governo que tem capacidade de dialogar com a sociedade”, afirmou.
O futuro dirigente do PT frisou ainda que divergências fazem parte da democracia e que a relação entre os Poderes, apesar de conflituosa em alguns momentos, é parte do processo político.
Ouça a íntegra da entrevista:
*Com informações PT Org
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