Governo repudia traição à Pátria de Flávio Bolsonaro em benefício dos EUA

O Palácio do Planalto divulgou, na noite desta terça-feira (7), nota oficial contestando veementemente a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).

A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República afirmou que convocar uma potência estrangeira para pressionar o próprio país configura uma traição à Pátria, demarcando uma linha clara entre o direito legítimo de fazer oposição política e a atitude de sabotar os interesses do povo brasileiro no exterior.

O governo federal acusou o parlamentar e pré-candidato de não defender os interesses nacionais e de legitimar uma investigação considerada injusta pela diplomacia nacional, agindo por pura conveniência eleitoral.  A audiência pública foi organizada para discutir a imposição de tarifas adicionais contra produtos brasileiros. 

Submissão pública

O governo destaca o isolamento da postura adotada pelo senador fluminense durante a rodada de audiências em Washington. Entre os 78 inscritos para se manifestar perante o órgão norte-americano, dos quais 34 eram representantes brasileiros, um total de 63 oradores se posicionou frontalmente contra o chamado tarifaço.

Apenas Flávio Bolsonaro se recusou a defender uma posição contrária às sanções econômicas contra o Brasil, optando por sugerir unicamente o adiamento das taxas, com objetivo eleitoreiro. Em vez de rebater os argumentos das autoridades norte-americanas para resguardar o setor produtivo nacional, o parlamentar preferiu validar as conclusões de uma questionável investigação externa que pune diretamente empresários e trabalhadores do país.

Segundo a nota do governo, Flávio Bolsonaro não negou que a campanha difamatória promovida por ele e seus aliados esteve na raiz do tensionamento que gerou o tarifaço. 

Paralelamente, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro – condenado e preso por tentativa de golpe – aproveitou o espaço para defender a revogação de decretos brasileiros voltados ao combate a conteúdos criminosos e à violência contra as mulheres na internet. 

Para a gestão federal, a derrubada dessas regulamentações internas só interessa a grupos que lucram com o caos informativo ou que necessitam do ambiente digital desregulado para a prática de crimes. 

A nota também mencionou que, ao citar o caso Master na audiência, o parlamentar escondeu  que o esquema teve início sob a gestão de Jair Bolsonaro e omitiu desavergonhadamente seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro, a quem teria solicitado e recebeu repasses milionários  sob a justificativa de produzir uma obra cinematográfica sobre o ex-presidente.

Enquanto Flávio falava, governo negociava

Na mesma manhã em que o parlamentar discursava no microfone em Washington, técnicos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Ministério das Relações Exteriores, do Ministério da Justiça e da própria estrutura do Palácio do Planalto conduziam reuniões de trabalho com o USTR para tentar reverter a aplicação das barreiras alfandegárias. 

De acordo com os dados apresentados pela Presidência, o governo brasileiro atua em negociações ininterruptas com a administração norte-americana desde julho de 2025 com o objetivo de demonstrar a inconsistência jurídica e econômica das tarifas aplicadas de forma injustificada contra as exportações do país.

O que o senador disse na audiência

Durante o segundo dia da audiência pública, Flávio Bolsonaro dispôs de um tempo de fala de cinco minutos. O parlamentar utilizou o palanque estrangeiro para contextualizar sua ótica da sucessão presidencial no Brasil, assinalando que o período que antecede as eleições de outubro seria o pior momento possível para uma ação punitiva por parte de Washington, pois a imposição de sobretaxas agora ajudaria politicamente o atual governo. 

A estratégia discursiva apresentada no plenário pelo senador contrastou com os pedidos formais contidos no documento impresso entregue previamente ao USTR. Na petição, em papel timbrado do Senado da República,  Bolsonaro solicita a postergação da aplicação das alíquotas por um período mínimo de 180 dias, estendendo o prazo até a conclusão do processo eleitoral brasileiro, ofereceu o Pix como moeda de troca e se colocou como interlocutor preferencial em caso de uma vitória da oposição nas urnas. 

Logo após encerrar sua participação no painel internacional, o parlamentar veiculou gravações em suas plataformas digitais alegando ter agido firmemente “em defesa” da economia do país e contra a gestão do presidente Lula.

O episódio evidencia um ato hostil de Flávio Bolsonaro ao próprio país: enquanto o Ministério das Relações Exteriores e os órgãos econômicos do governo brasileiro insistem na condução de um litígio comercial por vias estritamente diplomáticas e técnicas de Estado para Estado, o parlamentar adota uma tática de submissão a  uma potência estrangeira, oferecendo concessões no Pix e admitindo a legitimidade das sobretaxas. 

*Com informações do Vermelho

Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

Compartilhar:

Deixe um comentário

Mais Notícias