
A censura de livros nos Estados Unidos atingiu níveis sem precedentes, gerando uma resposta de resistência em todo o país. Em um cenário marcado por uma crescente polarização política, escolas públicas, bibliotecas e governos locais baniram cerca de 10 mil livros durante o ano escolar de 2023 a 2024, segundo dados da Pen America, uma organização que defende a liberdade de expressão. Esse número é muito superior aos 3,3 mil títulos banidos no período anterior.
Segundo Jamil Chade, do Uol, essa censura tem sido motivada principalmente por legislações estaduais e pressões de grupos ultraconservadores que alegam proteger as crianças de conteúdos considerados “inadequados”.
Estados como Flórida e Iowa aprovaram leis que facilitaram a retirada de livros das prateleiras escolares. Na Flórida, qualquer livro que trate de “conduta sexual” pode ser imediatamente suspenso até que seja revisado.
Já em Iowa, a lei proíbe descrições de atos sexuais e restringe o acesso a livros considerados “inapropriados para a idade”, sem oferecer uma definição clara do que isso significa.
Como resultado, estados como Iowa baniram mais de mil livros em menos de um ano, enquanto no ano anterior, apenas 14 títulos foram vetados. O movimento de censura também ganhou força em estados como Utah e Carolina do Sul, onde novas leis facilitaram o banimento de obras sob alegações de conteúdo “sensível”. Em alguns casos, se três cidades de Utah decidirem vetar um livro, ele será retirado de circulação em todo o estado.
Entre os títulos banidos estão obras que abordam temas como racismo, direitos LGBTQI+, diversidade e questões relacionadas à experiência sexual feminina. Clássicos da literatura como “A Cor Púrpura” de Alice Walker e “Amada” de Toni Morrison, além de “Morte no Nilo” de Agatha Christie, estão entre os livros proibidos. Além disso, obras que tratam de abusos sexuais e relatos de mulheres vítimas de violência também foram alvo da censura.

A Pen America, que historicamente lutou pela liberdade de expressão em regimes autoritários ao redor do mundo, agora concentra seus esforços na defesa dessa liberdade nos próprios EUA. “Esforços para suprimir a liberdade de ler continuam a atingir a literatura”, alertou a organização.
Em resposta ao aumento das proibições, bibliotecas, livrarias e autores têm se mobilizado. A Biblioteca Pública de Nova York, por exemplo, lançou uma campanha para combater a censura e proteger a liberdade de leitura.
A instituição criou um grupo de leitura para adolescentes dedicado exclusivamente a livros que foram banidos em outros estados. Além disso, desenvolveu um guia para ajudar professores a lidar com a censura em suas escolas.
“A liberdade de ler é um valor americano que deve ser protegido”, afirmou a Biblioteca Pública de Nova York em comunicado. Tony Marx, presidente da instituição, reforçou o compromisso da biblioteca com a defesa desse direito fundamental. “Estamos unidos às bibliotecas e comunidades de todo o país na oposição aos esforços para censurar ou proibir livros. Acreditamos que todos devem poder exercer sua liberdade de escolher o que ler”.
Com informações do Diário do Centro do Mundo
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