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Sujeira e morcegos e cobras: os alojamentos de fazenda do cantor bolsonarista Leonardo

Camas improvisadas em alojamento precário de fazenda vinculada ao cantor bolsonarista Leonardo – Foto: Reprodução

Seis trabalhadores foram resgatados em condições análogas à escravidão em uma fazenda do cantor bolsonarista Leonardo, em Jussara, Goiás. O nome do artista foi incluído na ‘lista suja’ do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

A fiscalização, realizada em novembro de 2023, identificou que os trabalhadores dormiam em alojamentos precários, sem banheiros, com camas improvisadas e infestação de morcegos. O local estava sem manutenção, expondo os trabalhadores a riscos sanitários e de segurança.

Camas improvisadas em alojamento dos seis trabalhadores resgatados na Fazenda Lakanka, em Goiás – Foto: Reprodução

Os trabalhadores realizavam tarefas como catar raízes na Fazenda Lakanka, que está arrendada para outro responsável pelo plantio de soja. Segundo o relatório, os empregados montaram camas improvisadas com tábuas de madeira, portas velhas e até galões de agrotóxicos. “Os empregados fizeram uso de objetos abandonados que encontraram para improvisar tarimbas”, dizia o relatório da fiscalização. Além disso, os trabalhadores estavam expostos a fezes de morcegos e formigas, o que piorava as condições de moradia.

O banheiro do alojamento estava inoperante e sem água, obrigando os funcionários a fazerem suas necessidades em áreas ao ar livre, o que gerou um acúmulo de papel higiênico e fezes próximo à casa.

A água disponível era de um poço sem manutenção, o que poderia gerar contaminação por roedores ou aves. Os trabalhadores improvisavam um chuveiro com uma mangueira ligada a uma bomba de água, porém, relatavam choques elétricos ao desligar o sistema.

Banheiro estragado, sem água, encontrado na Fazenda Lakanka, de Leonardo, em Goiás – Foto: Reprodução
Mangueira utilizada para banho e poço de onde vinha a água disponível aos trabalhadores no alojamento, o qual era desprovido de manutenção, possuindo tampa quebrada – Foto: Reprodução

A fazenda também enfrentava problemas com a escassez de água potável. Os empregados precisavam percorrer 2 km até a sede da Fazenda Lakanka para encher garrafas térmicas.

Segundo o relatório, mesmo a água da sede não recebia tratamento adequado. A precariedade das condições de trabalho e moradia foi um dos fatores que levou à inclusão de Leonardo na ‘lista suja’ de empregadores que utilizam trabalho escravo.

Lixo acumulado nas imediações da edificação que servia de alojamento aos trabalhadores – Foto: Reprodução
Um dos diversos morcegos que coabitava o alojamento com os trabalhadores -Foto: Reprodução
Cobra encontrada morta nas imediações do alojamento – Foto: Reprodução

O que diz Leonardo

O cantor Leonardo, por meio de sua defesa, alegou que a parte da fazenda onde os trabalhadores foram resgatados está arrendada para outra pessoa e que ele não tinha conhecimento das condições precárias.

“Estou muito triste com essa situação. Jamais faria isso”, afirmou Leonardo em suas redes sociais. A defesa também explicou que todas as indenizações já foram pagas, e um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi assinado com o Ministério Público do Trabalho.

A Fazenda Talismã, também pertencente ao cantor, foi citada no relatório por estar próxima da Fazenda Lakanka e fazer parte do mesmo conjunto de operações agrícolas. Embora alguns trabalhadores estivessem em melhores condições na Talismã, a situação geral levou à responsabilização de Leonardo, mesmo que ele alegue não ter controle direto sobre a gestão da área arrendada.

O Ministério Público do Trabalho confirmou que o inquérito foi aberto em 2023 e arquivado em 2024, após a assinatura do TAC e o pagamento das verbas indenizatórias. No entanto, a inclusão de Leonardo na lista suja foi responsabilidade do Ministério do Trabalho e Emprego, que atualiza a lista semestralmente. A defesa de Leonardo afirmou que tomará as medidas necessárias para remover o nome do cantor da lista.

O que é a lista suja do MTE?

A ‘lista suja’ do MTE visa dar transparência às ações de combate ao trabalho análogo à escravidão. Empregadores incluídos na lista permanecem nela por dois anos, período em que enfrentam restrições de crédito e financiamento por instituições financeiras.

Com informações do Diário do Centro do Mundo

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