Bloqueio energético contra Cuba se intensifica após autoridades norte-americanas anunciarem a retenção de mais de 600 mil galões de combustível, avaliados em US$ 2,8 milhões.
Ceilândia em Alerta – O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (7) a apreensão de 90 carregamentos de combustível destinados a Cuba, totalizando mais de 600 mil galões, equivalentes a aproximadamente 2,27 milhões de litros. A carga, avaliada em US$ 2,8 milhões, foi retida em portos norte-americanos como parte das medidas adotadas pela administração de Donald Trump para restringir o fornecimento de energia à ilha caribenha.
A operação representa mais um episódio do bloqueio energético contra Cuba, intensificado desde janeiro de 2026. O país enfrenta dificuldades no abastecimento de combustíveis, apagões frequentes e limitações no funcionamento de serviços essenciais, em um cenário de crise econômica agravada pelas restrições comerciais e pelos problemas de infraestrutura.
O anúncio foi feito durante entrevista coletiva em Miami por José R. Figueroa, agente especial responsável pelas Investigações de Segurança Interna dos Estados Unidos (HSI), acompanhado por representantes da Alfândega e Proteção de Fronteiras e do Departamento de Comércio.
Segundo as autoridades norte-americanas, a operação ocorreu no início de setembro e envolveu carregamentos que seriam enviados à empresa estatal cubana Enetec S.A., responsável por atividades de importação e exportação de combustíveis e lubrificantes.
A empresa foi incluída em julho na lista de entidades submetidas a sanções econômicas pelos Estados Unidos.
Bloqueio energético contra Cuba envolve apreensões em dois portos
Dos 90 carregamentos retidos, 71 estavam no porto de Port Everglades, na Flórida, e continham aproximadamente 500 mil galões de biodiesel. Outros 19 carregamentos, com cerca de 120 mil galões, foram apreendidos no porto de Houston, no Texas.
As autoridades dos Estados Unidos afirmaram que as cargas tinham como destino uma empresa estatal cubana sujeita a sanções e que a operação buscava impedir transações consideradas irregulares pela legislação norte-americana.
Figueroa declarou que operações dessa dimensão exigem organização e que empresas ou pessoas envolvidas no fornecimento de combustível a entidades sancionadas podem enfrentar consequências legais.
A apreensão ocorre em um contexto de ampliação das restrições norte-americanas ao setor energético cubano. O governo Trump tem procurado limitar o fornecimento de combustível às empresas estatais da ilha, permitindo determinadas operações destinadas ao setor privado.
Washington sustenta que essas medidas buscam pressionar economicamente o governo cubano e impedir que empresas estatais sancionadas recebam recursos.
O governo de Cuba, por outro lado, considera as restrições uma forma de pressão econômica que atinge diretamente a população e compromete o funcionamento de serviços públicos.
Cuba questiona legalidade das interceptações
Após o anúncio das apreensões, o vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, criticou as medidas norte-americanas e defendeu o direito do país de adquirir combustível no mercado internacional.
Segundo o diplomata, tanto empresas estatais quanto privadas cubanas podem realizar operações comerciais com fornecedores estrangeiros, conforme as normas do comércio internacional.
Fernández de Cossío afirmou que as ameaças de sanções contra países, empresas exportadoras e transportadoras que negociam com Cuba representam uma interferência indevida nas relações comerciais entre Estados soberanos.
O representante cubano também questionou a legalidade de interceptações realizadas em águas internacionais e classificou a política norte-americana como uma forma de punição econômica coletiva.
Essas declarações expressam a posição do governo cubano sobre as medidas. Os Estados Unidos, por sua vez, sustentam que suas operações de fiscalização e interceptação são realizadas com fundamento em suas sanções e nas normas aplicáveis à segurança marítima.
A divergência envolve tanto a legitimidade das sanções econômicas quanto as circunstâncias em que autoridades de um país podem abordar embarcações e interferir em operações comerciais internacionais.
Navio foi interceptado no Caribe
O anúncio desta quarta-feira ocorre poucos dias depois de a Guarda Costeira dos Estados Unidos divulgar outra operação envolvendo combustível destinado a Cuba.
Na sexta-feira (2), o órgão confirmou que havia interceptado, no início de setembro, o navio Grace, uma embarcação de aproximadamente 91 metros de comprimento que transportava combustível em direção à ilha.
A abordagem ocorreu no mar do Caribe. Segundo a Guarda Costeira, o navio apresentava características associadas à chamada frota escura, expressão utilizada para descrever embarcações que dificultam a identificação de suas operações ou o rastreamento das cargas.
Após a abordagem, a embarcação foi encaminhada a Progreso, no México, onde autoridades mexicanas participaram da inspeção.
Os Estados Unidos afirmaram que foram encontrados combustíveis armazenados em tanques de lastro, condição que, segundo a Guarda Costeira, poderia representar riscos ambientais e à segurança da navegação.
A quantidade exata de combustível transportada pelo Grace não foi divulgada.
A Guarda Costeira também mencionou uma operação anterior envolvendo o navio Jaira Provider, que, segundo as autoridades norte-americanas, transportava aproximadamente 795 mil litros de diesel destinados a Cuba.
As apreensões ocorrem enquanto a ilha enfrenta dificuldades para manter o abastecimento de energia elétrica, o transporte e outras atividades dependentes de combustíveis importados.
A continuidade das restrições mantém o fornecimento energético no centro das tensões diplomáticas entre Washington e Havana, com efeitos sobre a economia cubana e as condições de vida de sua população.
🔍 Fontes: Brasil de Fato; Reuters; Guarda Costeira dos Estados Unidos.



