Ceilândia em Alerta — A gordura corporal costuma ser associada apenas ao ganho de peso e a problemas de saúde, mas ela exerce funções importantes no organismo. Especialistas alertam que, embora o excesso possa aumentar o risco de diversas doenças, tentar reduzir a gordura a níveis extremamente baixos também pode trazer consequências.
A gordura corporal funciona como uma reserva de energia. Quando o organismo recebe mais nutrientes do que consegue utilizar naquele momento, as células adiposas, chamadas adipócitos, armazenam esse excedente na forma de lipídios.
No entanto, o tecido adiposo não é apenas um depósito de energia. Ele é considerado um órgão metabolicamente ativo e participa da regulação de diferentes funções do corpo.
Produção de hormônios
Uma das funções da gordura corporal é a produção de hormônios que ajudam o organismo a controlar a quantidade de energia disponível.
Entre eles está a leptina, que informa ao cérebro sobre as reservas energéticas do corpo. Quando há energia suficiente armazenada, esse mecanismo permite que o organismo mantenha outras funções importantes, como a reprodução e a resposta imunológica.
A gordura também contribui para a manutenção da temperatura corporal. A gordura branca funciona como uma espécie de isolamento térmico, enquanto os tecidos adiposos marrom e bege possuem células capazes de produzir calor a partir do gasto de energia.
Pouca gordura também pode ser um problema
Os riscos associados ao excesso de gordura são conhecidos e incluem maior probabilidade de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, alguns tipos de câncer e osteoartrite.
Por outro lado, uma quantidade muito baixa de gordura, especialmente quando resultado de restrição alimentar severa, também pode prejudicar o organismo.
Quando as reservas energéticas ficam muito reduzidas, o corpo tende a economizar energia. Em situações extremas, pode ocorrer redução da função imunológica, perda de massa muscular e interrupção de processos relacionados à formação e manutenção dos ossos.
A consequência pode ser maior fragilidade e risco de fraturas. Alterações hormonais também podem ocorrer.
Em homens submetidos a uma alimentação cronicamente insuficiente, por exemplo, os níveis de testosterona podem cair, acompanhados de redução de energia e desempenho físico. Entre mulheres atletas com gordura corporal muito baixa, podem ocorrer alterações ou interrupção da menstruação.
Não existe percentual ideal para todos
A quantidade considerada saudável de gordura corporal varia de acordo com características individuais, como sexo, idade e composição corporal.
De maneira geral, homens adultos saudáveis costumam apresentar entre 10% e 20% de gordura corporal, enquanto mulheres adultas saudáveis ficam aproximadamente entre 20% e 29%. Esses valores são referências gerais e não representam uma faixa ideal universal.
Entre atletas, os percentuais costumam ser menores. Pesquisas com centenas de esportistas encontraram índices mínimos de aproximadamente 10% em homens e 16% em mulheres.
Por isso, buscar níveis extremamente baixos de gordura apenas para obter um corpo mais definido pode não ser uma estratégia adequada para a saúde.
A localização da gordura também importa
Além da quantidade, o local onde a gordura está armazenada é relevante.
A chamada gordura visceral, localizada ao redor dos órgãos internos, é considerada especialmente preocupante quando está presente em excesso. Ela pode liberar substâncias inflamatórias, interferir na ação da insulina e contribuir para o aumento da pressão arterial e do risco de diabetes tipo 2.
Já a gordura localizada sob a pele exerce funções diferentes e não deve ser confundida diretamente com a gordura visceral.
Como avaliar a composição corporal
Existem diferentes métodos para estimar a quantidade de gordura do organismo. O exame de composição corporal por DEXA é considerado mais detalhado porque consegue diferenciar gordura, massa muscular e massa óssea, embora dependa de equipamentos específicos.
As medições por dobras cutâneas e as balanças de bioimpedância são alternativas mais acessíveis, mas apresentam limitações e podem sofrer influência de fatores como hidratação.
Também é possível acompanhar medidas como a circunferência da cintura e a relação entre cintura e altura, que ajudam a avaliar a concentração de gordura na região abdominal.
O índice de massa corporal (IMC), por sua vez, não consegue distinguir gordura de massa muscular e, por isso, não deve ser interpretado isoladamente como medida da composição corporal.
O equilíbrio é mais importante
Com o envelhecimento, é comum que a quantidade de gordura corporal aumente enquanto massa muscular e óssea diminuem. Por isso, manter uma alimentação adequada e praticar atividade física, especialmente exercícios de força, pode contribuir para preservar a composição corporal e a saúde.
A principal recomendação dos especialistas é evitar tanto o excesso quanto a busca por níveis extremos de gordura corporal.
Mais do que eliminar a gordura, o objetivo deve ser manter uma composição corporal compatível com as necessidades individuais e preservar as funções desempenhadas pelo tecido adiposo no organismo.
Fonte: Correio Braziliense



