Ceilândia em Alerta — Cerca de R$ 1,325 bilhão ainda precisa ser devolvido a pessoas que mantinham dinheiro em plataformas de apostas e cassinos on-line, segundo balanço divulgado pelo Ministério da Fazenda na terça-feira (6/10). O levantamento aponta ainda a existência de aproximadamente 26,5 milhões de CPFs com saldo nas plataformas.
Os números foram apresentados após a entrada em vigor das medidas de restrição às bets previstas na Medida Provisória (MP) 1.394/26.
De acordo com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a maior parte do dinheiro está concentrada em um grupo relativamente pequeno de apostadores. Cerca de 1% deles, pouco mais de 200 mil pessoas, reúne aproximadamente 80% do saldo que ainda permanece nas plataformas.
Já 3,4% dos apostadores concentram 90% dos recursos que precisam ser restituídos.
Contas com valores elevados estão sob investigação
Durigan afirmou que algumas contas ainda apresentam saldos superiores a R$ 500 mil ou R$ 1 milhão. Segundo ele, esses casos estão sendo analisados para verificar possíveis indícios de irregularidades.
O ministro disse que as informações podem ser encaminhadas às autoridades competentes, especialmente ao Ministério da Justiça e à Polícia Federal, caso sejam identificados sinais de lavagem de dinheiro ou outras práticas ilegais.
A Fazenda estima que aproximadamente 40 contas tenham mais de R$ 500 mil ainda disponíveis.
Na outra ponta, 86,2 milhões de contas possuem valores entre R$ 0,01 e R$ 0,99. Juntas, essas contas representam cerca de R$ 15,5 milhões.
O governo ressalta que uma mesma pessoa pode manter contas em diferentes plataformas. Por isso, o número de contas não corresponde necessariamente ao número de apostadores.
Governo amplia bloqueio de sites e perfis
Segundo o Ministério da Fazenda, o governo também solicitou à Anatel o bloqueio de 11.740 sites relacionados às apostas consideradas irregulares.
Também foram solicitadas medidas para retirar do ar 3.489 páginas, perfis e grupos em redes sociais e aplicativos de mensagens.
Entre os conteúdos removidos estão 1.974 páginas do Facebook, 560 perfis do Instagram, 800.837 canais e grupos do Telegram, 103 perfis no TikTok e 14 grupos no WhatsApp, além de um servidor no Discord.
De acordo com Durigan, o conjunto de perfis, páginas e canais bloqueados alcançava cerca de 17,2 milhões de usuários e seguidores.
O ministro afirmou ainda que o governo continuará utilizando estruturas de monitoramento para identificar plataformas ilegais e impedir que recursos sejam direcionados às apostas.
Prazo para devolução dos valores
Embora o prazo para os apostadores retirarem diretamente os recursos tenha terminado em 5 de outubro, os valores remanescentes ainda devem ser devolvidos.
Os bancos que operavam com as plataformas de apostas têm entre 9 e 14 de outubro para realizar a devolução dos saldos aos clientes.
Caso o dinheiro não seja restituído dentro desse período, o apostador deverá procurar a Caixa Econômica Federal a partir de 14 de outubro para buscar informações sobre o procedimento de recuperação dos recursos.
A medida faz parte das ações adotadas pelo governo em meio às novas regras para o setor de apostas esportivas, que também envolvem o bloqueio de plataformas consideradas irregulares e o controle do fluxo financeiro.
O governo afirma que a fiscalização busca reduzir a circulação de recursos em sites ilegais e preservar o dinheiro que ainda pertence aos apostadores.
Fonte: Correio Braziliense



