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Defesa reage com “indignação” à discussão sobre pedido de prisão de Fábio Luís

“Vazamentos do sigilo do Fábio revelam que ele não tem participação com os malfeitos investigados pela CPMI do INSS”, diz Marco Aurélio de Carvalho

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A possibilidade de a Polícia Federal pedir a prisão de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), provocou reação da defesa do empresário. O advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou ter recebido a notícia com “perplexidade e indignação”, ao comentar o tema durante entrevista concedida à TV 247 nesta segunda-feira (9).

A discussão sobre uma eventual solicitação de prisão foi divulgada pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo. Segundo a reportagem, o tema teria sido debatido dentro da própria Polícia Federal no âmbito de uma investigação que tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF).

Defesa critica vazamentos e questiona quebra de sigilo

Durante a entrevista, Marco Aurélio de Carvalho criticou a própria quebra de sigilo autorizada no caso e afirmou que o cliente sequer era alvo inicial de investigação. Segundo ele, a divulgação de informações protegidas reforçaria a ausência de envolvimento de Fábio Luís nos fatos investigados.

“Nós recebemos com perplexidade e indignação. Não havia motivo nem sequer para quebra de sigilo. Fábio não era investigado. Eu tenho dito que esses vazamentos criminosos do sigilo do Fábio, cuja quebra foi pedida pela Polícia Federal e deferida pelo Supremo, são reveladores de que ele não tem nenhuma participação direta ou indireta com os malfeitos que estão sendo investigados no bojo da CPMI do INSS”, afirmou.

O advogado também argumentou que as informações divulgadas estariam sendo interpretadas de forma equivocada. Segundo ele, os dados sobre movimentações financeiras não representam necessariamente valores efetivamente disponíveis em conta. “Sabemos que ‘movimentação’ não quer dizer volume de recurso do ponto de vista objetivo. Eu dizer que eu ‘movimentei’ R$ 19 milhões não quer dizer que eu tinha R$ 19 milhões na conta. Essa movimentação pode ter sido resultado de uma movimentação três, quatro, cinco vezes menor”, declarou.

Origem dos recursos, segundo a defesa

Na entrevista, Marco Aurélio de Carvalho explicou que parte dos recursos atribuídos a Fábio Luís teria origem em herança, antecipação de legítima e na venda de empresas que já foram investigadas anteriormente. “O Fábio recebeu a herança da dona Mariza, valor de R$ 1 milhão e pouco. Além disso, recebeu uma antecipação de legítima do presidente Lula e também recebeu o resultado da venda da sua empresa, empresas que foram, inclusive, ampla e profundamente investigadas na época da Lava Jato”, disse.

Segundo ele, essas investigações anteriores não identificaram irregularidades. “Não se achou, naquela época, absolutamente nada contra o Fábio”, afirmou.

O advogado também criticou a cobertura de parte da imprensa sobre o caso. “O curioso é que a gente anda convive com aquelas manchetes falando do Fábio, e ninguém teve a dignidade — tirando, claro, espaços como este, de jornalismo competente, honesto e autônomo — de publicar o resultado final daquelas investigações que na época revelaram que não havia nenhuma irregularidade sobre essas empresas”, declarou.

Investigação segue sob sigilo no STF

A investigação tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal. O ministro André Mendonça autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís. Como o processo não é público, não há confirmação oficial sobre eventuais pedidos apresentados pela Polícia Federal no inquérito.

Mesmo sem confirmação formal de um pedido de prisão, a possibilidade de solicitação da medida gerou divergências dentro da própria corporação. Parte dos delegados que mantém interlocução com o gabinete de André Mendonça defende a iniciativa.

Outro grupo de investigadores, por sua vez, se posiciona contra a hipótese. Esses delegados argumentam que a prisão de um investigado não pode decorrer de decisão subjetiva e deve estar baseada em elementos concretos e robustos dentro da investigação.

Com informações do Brasil247

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