Um levantamento realizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que o endividamento das famílias brasileiras atingiu recorde de 80,4% em março. O cenário afeta o poder de compra e consumo no país, e, em ano eleitoral, pode impactar a avaliação do governo.
Para a economista e professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) Juliane Furno, o endividamento cria uma contradição entre a realidade econômica e a percepção financeira individual. “Se você abre pesquisas de opinião, em torno de 46%, 47% das pessoas identifica que a situação econômica está ruim e com perspectivas de que vai piorar. Então a minha hipótese é que sim, as pessoas estão mais empregadas, a renda das pessoas está aumentando, o poder de compra está aumentando, porque a inflação está mais baixa, mas a gente não vê a cor do dinheiro, porque ele pinga na nossa conta e vai imediatamente retornar ao sistema financeiro para o pagamento dessas dívidas”, explica em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato.
Essa contradição se dá porque o sistema financeiro opera em outra lógica. “Vamos supor que eu queira comprar uma geladeira de R$ 2 mil. Usei meu cartão de crédito, comecei a pagar as minhas parcelas, mas fiquei desempregada. Aí eu parei de pagar minhas parcelas, quando vejo a minha dívida está em R$ 5 mil”, explica.
Furno avalia que esse cenário acaba por prejudicar a imagem do governo. “O endividamento e as taxas de juros abusivas são um dos principais componentes para a percepção ruim que as pessoas têm da economia e que vai afetar a sua decisão eleitoral. Acho que não será mais suficiente dizer que o desemprego caiu e a inflação está controlada. As eleições vão passar por quem apresentar mais possibilidade de ofertar um futuro melhor, uma esperança de futuro melhor”, pontua.
Com informações do Brasil de Fato
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