Em show na capital, Alceu Valença faz giro de oito décadas de música

Alceu Valença chega a Brasília com a turnê 80 girassóis celebrando seus 80 anos com um repertório que passeia por toda carreira

Com um repertório que simboliza a trajetória por sua vida e sua obra, Alceu Valença desembarca em Brasília com a turnê 80 girassóis, que comemora o aniversário do artista e celebra mais de 50 anos nos palcos. Hoje, na área externa do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), o pernambucano irá apresentar sucessos como Anunciação, La belle de jour, Morena Tropicana e Como dois animais.

O CCBB promove uma exposição ao artista, na galeria 4 do local. A mostra reúne registros fotográficos  desde a infância, projeções e bastidores da turnê atual. A exposição permite que os fãs conheçam um pouco do menino Alceu, que agora é um dos maiores artistas do Brasil.

Alceu Valença conversou com o Correio sobre o repertório da turnê, a sensação de estar na estrada e a conexão com Brasília.

Como foi a idealização da turnê?
Qual o processo para montar esse repertório dos 80 anos?

O repertório da turnê 80 Girassois é o giro sobre a minha obra, sobre a minha música, sobre as minhas composições e sobre a minha vida. Ao mesmo tempo, a construção desse repertório segue uma montagem cinematográfica. Eu começo o show, inclusive cantando música da década de 1970 e depois eu vou colocando outras músicas que vieram com o passar do tempo.

Sobre ser cinematográfico, você também já dirigiu em cinema. Como que você quis trazer o cinema para a montagem desse show?

Bem, eu sempre penso as coisas de uma maneira cinematográfica, até quando eu faço um roteiro. Eu me lembro quando eu escrevi e dirigi o meu filme A Luneta do Tempo e como eu gosto muito, muito, muito. Por exemplo, tem até uma coisa meio doente da minha parte, uma música precisa ter uma relação com a outra. Por exemplo, se eu canto Girassol, eu canto Flor de Tangerina, depois, Sabiá que é flor também. Se eu vou cantar uma música que fala em Olinda, por exemplo, Hino do Elefante, de Clídio Nigro, essa música é a única música do show que não é minha.

Uma música que é o hino do carnaval de Olinda, depois dela eu trago uma outra música de carnaval também como se tivesse chegado em Olinda. Mas antes de chegar em Olinda, eu estava aonde? Na ilha de Itamaracá. Eu pego um navio pirata, vamos dizer, na minha cabeça. É tudo dentro de um contexto. Por exemplo, tem um momento que eu falo em cabelo, tem o Cabelo no Pente, depois, tem a Tesoura do Desejo. Tudo segue um roteiro.

Você falou em uma entrevista que você chega para essa turnê se sentindo como um menino de 8 anos. Como que tem sido para você comemorar esses 80 anos, mas se sentindo como
um menino ainda?

As pessoas ficam impressionadas com a minha vitalidade, com a minha rapidez. Hoje mesmo estavam dizendo aqui em Brasília, eu não sou uma pessoa que tenha academia para isso, não. Talvez seja por andar, andar, andar. Eu tenho tantas músicas que falam em rua, porque eu vivo dentro da rua. Se eu estiver em Paris, eu vou para andar, andar na rua Rivoli. Se eu estiver no Rio, eu vou andar na avenida Atlântica, em Copacabana, no Ataulfo de Paiva. Se eu chego a tudo que é canto, eu sei os caminhos ali. Aqui em Brasília eu ando perto da Torre porque o hotel é por ali. Talvez seja isso que eu tenho essa vitalidade tão grande.

Qual é a sua relação com Brasília?

Eu me apaixonei por Brasília, inclusive porque dois tios meus vieram morar aqui quando a capital estava sendo construída.Tem uma música que eu compus com o Carlos Fernando, um compositor amigo meu, e a gente escreveu: “‘É Asa Norte, é Asa Sul, é avião./É Lago Norte, é Lago Sul, é construção./Pau de Arara, pioneiro da nação”. E cantei essa música e gravei com Luiz Gonzaga.

Tem uma outra que eu escrevi que diz “em maio, eu montava um cavalo chamado de ventania. Lembrei olhando o calendário do tempo que me querias. Em junho estava em São Paulo, naquela noite tão fria. Teu corpo foi meu agasalho no tempo que me queria. Em junho estava em Havana sonhando com utopias. Agosto, Brasília, Goiânia. Pelô, Salvador, Bahia”.

Sua música tem chegado em novas gerações. Como é isso para você ter outras gerações consumindo e ouvindo?

Essa geração está chegando da mesma forma que a outra chegou, só que agora tem umas músicas icônicas. Anunciação, por exemplo, as mulheres quando vão fazer o parto botam no hospital e depois ficam cantando para o neném. Aí, eu quando saio na rua, no Rio, as mulheres sempre me param e uma menininha ou menininho cantam ‘ a bruma leve das paixões que vem de dentro’.

Como é o processo de estar na estrada? Você gosta de viajar para fazer show?

Eu adoro estar viajando. Tem uma coisa chata que é o deslocamento quando ele é muito grande. Mas amo viajar e já estou com projeto em que quando eu pensar em uma cidade, já vou estar indo para outra, em vários países do mundo. Eu gosto da estrada, eu vivo na estrada. “Onde é que tu vai, senhor? Estrada, companheira de mim, do meu destino e do tempo que corre em disparada sobre ti e teu solo agrestino. Onde é que tu vais fazer parada? Eu me lembrei do meu tempo de menino e agora estou voltando para casa. Sob a Lua, rodamos na madrugada sobre o sol causticante cristalino”. Eu vivo pensando em voltar para os campos e voltar também no tempo. De vez em quando, eu volto para meu tempo de criança, estou me vendo lá em Olinda, no casarão brincando no carnaval.

E o palco para você, o que ele simboliza atualmente ainda?

Palco é alegria, palco é harmonia, palco é vitalidade, palco é troca. É a coisa que eu mais gosto de fazer.

Hoje, a partir das 18h, no Centro Cultural Banco do Brasil (St. de Clubes Especial Sul Trecho 2). Ingressos a partir de R$ 110 taxa da Bilheteria Digital

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