Avaliação é que o encontro conseguiu reduzir o risco de novas tarifas e sanções impostas pelos EUA, mas não o eliminou completamente
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) celebrou o resultado da reunião com o chefe da Casa Branca, Donald Trump, na última quinta-feira (7/5), em Washington. Na avaliação de auxiliares, a visita foi bem-sucedida no sentido de “desarmar” tensões entre os países e reduzir o espaço para a aplicação de medidas unilaterais por parte do governo norte-americano.
Ao mesmo tempo, o Planalto vê as ações americanas como imprevisíveis e, portanto, a possibilidade de adoção de novas tarifas ou sanções não é totalmente descartada.
A pauta comercial dominou boa parte do encontro entre Lula e Trump. Durante a reunião, os líderes acordaram a criação de um grupo de trabalho para chegar a uma solução sobre a questão tarifária. A expectativa do governo é que os trabalhos comecem na semana que vem. O prazo para funcionamento do colegiado é de 30 dias.
O presidente brasileiro também defendeu o encerramento da investigação aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, que mira práticas comerciais como o Pix e tarifas do etanol. Auxiliares de Lula veem os argumentos americanos no âmbito da apuração como “muito frágeis” e procuram responder de forma técnica.

O governo também mapeia áreas onde é possível ceder. O diagnóstico é que Trump precisa vender um vitória para seu público interno e, com isso, busca extrair concessões dos países com quem negocia. Nesse sentido, o técnicos tentam identificar setores onde é possível haver trocas, sem abrir mão das prioridades brasileiras.
Uma área citada como passível de negociação é a do comércio eletrônico. O governo americano, no entanto, ainda não apresentou claramente uma proposta para a área.
Reunião na Casa Branca
- Lula foi recebido por Trump na Casa Branca, na última quinta-feira (7/5), após meses de negociação sobre um encontro presencial. A reunião foi marcada depois de um contato de Washington.
- Ao longo de cerca de três horas, os líderes conversaram sobre tarifas, minerais críticos, colaboração sobre o crime organizado e questões geopolíticas.
- Apesar de não ter sido fechado novos acordos, o encontro foi visto como um importante gesto de reaproximação entre os países depois de episódios de tensão.
- Ao final da reunião, Lula demonstrou otimismo e afirmou que deseja que os Estados Unidos “voltem a ver no Brasil um parceiro importante”.
Crime Organizado
Outra prioridade da visita de Lula aos EUA, o combate ao crime organizado entrou em debate ao longo do encontro. O Metrópoles apurou que, embora os líderes não tenham abordado a classificação de facções criminosas como organizações terroristas, o petista entregou a Trump um documento com argumentos para evitar a medida.
A ideia está em análise pela Casa Branca, mas o governo Lula rechaça por temer risco de interferências externas.
O governo insiste em uma proposta de colaboração entre os países para avançar na cooperação contra o crime organizado transnacional, em especial, o tráfico de armas e de drogas. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, mencionou a expectativa que sejam realizadas novas operações conjuntas contra os ilícitos.
O saldo da visita, na visão de auxiliares, é que o presidente saiu fortalecido com vitórias diplomáticas e políticas — inclusive, reduzindo o risco de interferência dos americanos nas eleições de outubro. A tese foi reforçada por Lula em entrevista a jornalistas após o encontro.
“Eu não acredito que ele vá ter qualquer influência nas eleições brasileiras, até porque quem vota é o povo brasileiro, e acho que ele vai se comportar como presidente dos EUA, deixando que o povo brasileiro decida seu destino, como eu vou deixar que o povo americano decida o destino deles”, declarou o chefe do Executivo federal.
A avaliação é que os presidentes estabeleceram uma relação positiva, o que ajuda a afastar a possibilidade de ingerência. Há ainda um cálculo que a própria direita tem visto a associação com os Estados Unidos como prejudicial eleitoralmente.
Vale lembrar que foi durante a resposta ao tarifaço que o titular do Planalto conseguiu um respiro nas pesquisas de avaliação, enquanto a oposição ficou com a pecha de ter articulado sanções contra o Brasil.
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