Dados do Banco Central mostram primeiro resultado positivo do ano para a caderneta.
A caderneta de poupança voltou a registrar captação líquida positiva em maio, interrompendo uma sequência de retiradas observada desde o início de 2026. Dados divulgados nesta terça-feira (9) pelo Banco Central apontam que os depósitos superaram os saques em R$ 2,6 bilhões no mês, marcando o primeiro resultado positivo do ano para a modalidade de investimento.
O desempenho ocorreu no mesmo mês em que teve início o Desenrola 2.0, programa voltado à renegociação de dívidas. Apesar da recuperação pontual, o saldo acumulado da poupança continua negativo em 2026.
Com a entrada líquida de recursos em maio, o volume total aplicado na caderneta voltou a crescer. O estoque de depósitos passou de R$ 1 trilhão em abril para R$ 1,01 trilhão ao final de maio, refletindo o aumento das aplicações no período.
Mesmo com o resultado positivo recente, os números do acumulado do ano revelam um cenário mais desafiador para a poupança. Entre janeiro e maio, as retiradas superaram os depósitos em R$ 39,1 bilhões. O movimento é associado, entre outros fatores, ao elevado nível de endividamento das famílias nos primeiros meses do ano, o que levou muitos brasileiros a recorrerem às reservas financeiras.
Poupança perde espaço para outras aplicações
Especialistas do mercado financeiro observam que a poupança vem enfrentando dificuldades para competir com outros investimentos disponíveis no mercado. O principal motivo é a limitação de sua rentabilidade em um ambiente de juros elevados.
Pelas regras atuais, quando a taxa básica de juros (Selic) supera 8,5% ao ano, a remuneração da poupança fica restrita a 0,5% ao mês, acrescida da Taxa Referencial (TR). Atualmente, com a Selic em 14,5% ao ano, diversos produtos de renda fixa apresentam retornos mais atrativos.
Nesse contexto, investimentos atrelados ao CDI, títulos públicos e papéis privados têm oferecido rendimentos superiores aos da caderneta, atraindo parte dos investidores que buscam maior rentabilidade sem abrir mão de níveis moderados de risco.
Bolsa mantém desempenho positivo
Além da concorrência da renda fixa, a recuperação do mercado de ações também contribui para reduzir a atratividade da poupança. Em 2025, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, acumulou valorização de 34%, registrando seu melhor desempenho anual desde 2016.
Em 2026, a trajetória positiva continua. Até o momento, o índice acumula alta de 4,5%, beneficiado pelo interesse dos investidores no mercado brasileiro em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio.
No mercado de câmbio, o dólar apresenta movimento oposto. A moeda norte-americana registra queda acumulada de 5,6% no ano, reforçando o cenário de valorização dos ativos brasileiros em 2026.
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