Irã acusa EUA de revogar cota de ingressos para torcedores iranianos na Copa e cita interferência política na organização

A Federação Iraniana de Futebol (FFIRI) acusou os Estados Unidos de revogarem os ingressos destinados aos torcedores da seleção do Irã para as três partidas da equipe na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026. A entidade afirmou que a medida impede a distribuição dos bilhetes aos seus apoiadores poucos dias antes da estreia da equipe no torneio e classificou a decisão como uma violação dos compromissos assumidos pelo país-sede junto à Fifa.

Pelas regras da entidade máxima do futebol, cada seleção participante recebe uma cota de ingressos correspondente a 8% da capacidade dos estádios para venda aos seus torcedores. Segundo a federação iraniana, os bilhetes que seriam destinados aos torcedores do Irã foram bloqueados pelas autoridades estadunidenses sem explicações consideradas suficientes pela entidade.

“Isso ocorre apesar de muitos torcedores iranianos terem, com base no processo oficialmente anunciado, feito todos os preparativos necessários para comparecer aos jogos”, declarou a entidade.

Em comunicado, a federação acusou os Estados Unidos de adotarem medidas motivadas por disputas políticas e afirmou que os torcedores iranianos estão sendo impedidos de exercer o direito de acompanhar sua seleção na competição. Segundo a FFIRI, a questão mostra “sérias questões sobre a interferência de considerações não esportivas e políticas na organização do maior evento do futebol mundial”.

A entidade declarou que a decisão ocorre em desacordo com os princípios de neutralidade esportiva defendidos pela Fifa e pediu uma intervenção da organização. “É uma medida contrária ao espírito que rege as competições internacionais e ao princípio da igualdade entre os países participantes”, diz outro trecho do comunicado.

A polêmica ocorre poucos dias após outra disputa envolvendo a participação do Irã no Mundial. Na semana passada, a Federação Iraniana de Futebol informou que 14 integrantes de sua delegação tiveram os pedidos de visto negados pelos Estados Unidos. Entre eles estavam o vice-presidente da entidade, Mehdi Mohammad Nabi, o secretário-geral, Hedayat Mombeini, membros da diretoria, assessores e funcionários considerados responsáveis pelas áreas administrativas e logísticas da seleção.

A embaixada iraniana na Turquia criticou as recusas e afirmou que os profissionais impedidos de entrar no país desempenham funções importantes para o funcionamento da equipe durante a Copa do Mundo. O governo iraniano classificou a situação como “tratamento discriminatório” e pediu que a Fifa adote medidas para garantir que o país possa participar da competição em condições equivalentes às das demais seleções.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, respondeu às críticas afirmando que jogadores, treinadores e integrantes da comissão técnica receberam autorização para viajar. Segundo Rubio, as restrições atingem pessoas que não exercem funções diretamente ligadas ao futebol ou que possam possuir vínculos com a Guarda Revolucionária Islâmica, organização que Washington considera terrorista.

As dificuldades enfrentadas pela delegação do Irã já provocaram mudanças no planejamento da equipe. Inicialmente, a seleção pretendia instalar seu centro de treinamento em Tucson, no estado do Arizona. Diante dos problemas relacionados a vistos e deslocamentos, a federação decidiu transferir sua base para a cidade mexicana de Tijuana, próxima à fronteira com os Estados Unidos.

O Irã garantiu vaga na Copa do Mundo após liderar seu grupo nas Eliminatórias Asiáticas. A equipe está no Grupo E do torneio e estreia em 15 de junho contra a Nova Zelândia. Depois enfrenta a Bélgica em 21 de junho e o Egito em 26 de junho. As duas últimas partidas serão disputadas em território estadunidense. Até o momento, a Fifa não divulgou posicionamento oficial sobre as denúncias envolvendo os ingressos e os vistos da delegação iraniana. O governo dos EUA também não se manifestou.

Guerra no Oriente Médio

As revogações ocorrem em meio à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciada em fevereiro deste ano. O cessar-fogo entre Irã e Israel, que havia sido acordado em abril, foi rompido no domingo (7) após o lançamento de mísseis iranianos contra Israel em resposta a ataques realizados em Beirute, no Líbano. Em reação, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou bombardeios em Teerã.

Após a troca de ataques, os países anunciaram a interrupção da ofensiva nesta segunda-feira (8). O Irã foi o primeiro a anunciar a suspensão das operações militares. Em comunicado divulgado pelo Quartel-General Central Hazrat Khatam al-Anbiya e reproduzido pela agência estatal Fars, as Forças Armadas iranianas afirmaram ter dado uma “resposta dolorosa a Israel” e informado o encerramento das ofensivas. Teerã declarou esperar que Israel e os Estados Unidos tenham “aprendido uma lição” e sustentou que suas ações foram uma resposta às “agressões e atrocidades do regime sionista” no sul do Líbano e na região de Dahiyeh, que, segundo o governo iraniano, contaram com apoio dos EUA.

Pouco depois, Israel também concordou em interromper os bombardeios.

*Com informações do Brasil de Fato

Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

Compartilhar:

Deixe um comentário