Inflação de setembro de 2026 atinge maior taxa mensal desde março e acumula alta de 4,58% em 12 meses, segundo dados divulgados pelo IBGE.
Ceilândia em Alerta – A inflação oficial brasileira registrou alta de 0,82% em setembro de 2026, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado foi o maior desde março, quando o índice havia alcançado 0,88%, e representa uma aceleração em relação a agosto, mês em que os preços apresentaram queda de 0,32%.
A inflação de setembro de 2026, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi pressionada principalmente pelo aumento da energia elétrica residencial, além das altas nos transportes e nos alimentos.
Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,58%, ultrapassando o limite superior de 4,5% estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
A meta central de inflação é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O intervalo permitido, portanto, vai de 1,5% a 4,5%.
Embora o índice tenha ultrapassado o teto em setembro, a regra atual considera a meta descumprida quando a inflação permanece fora do intervalo de tolerância por seis meses consecutivos.
O resultado também superou as expectativas do mercado financeiro. O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (5), apontava previsão de inflação de 0,60% para setembro.
Inflação de setembro de 2026 foi pressionada pela energia elétrica
O grupo habitação apresentou a maior contribuição para o aumento do IPCA, com alta de 2,31% e impacto de 0,35 ponto percentual no índice geral.
O principal responsável foi o preço da energia elétrica residencial, que subiu 7,98% em setembro, depois de registrar queda de 7,63% em agosto.
Segundo o IBGE, a diferença está relacionada ao encerramento do Bônus de Itaipu, desconto concedido aos consumidores na conta de luz do mês anterior.
O benefício corresponde à distribuição de valores positivos da conta de comercialização da energia produzida pela usina hidrelétrica de Itaipu.
Como o desconto foi aplicado em agosto e não se repetiu em setembro, a comparação entre os dois meses mostrou uma elevação expressiva no valor das contas.
A energia elétrica, sozinha, respondeu por 0,32 ponto percentual da inflação mensal.
O IBGE também identificou reajustes contratuais nas tarifas de energia de Belém, São Luís e Vitória, que contribuíram para a variação nacional.
O grupo transportes apresentou aumento de 0,89%, influenciado principalmente pelas passagens aéreas, que ficaram 9,66% mais caras.
Os combustíveis também registraram elevação de 1,41%. A gasolina subiu 1,21%, o etanol avançou 3,16% e o óleo diesel teve aumento de 1,69%.
Alimentos voltam a subir após três meses de queda
O grupo alimentação e bebidas apresentou alta de 0,83% em setembro, interrompendo uma sequência de três meses de redução de preços.
Os alimentos consumidos dentro de casa ficaram, em média, 0,96% mais caros.
Entre os produtos que apresentaram maiores aumentos estão:
- Tomate: 37,76%.
- Batata-inglesa: 24,07%.
- Cebola: 10,14%.
- Arroz: 4,56%.
- Carnes: 0,63%.
Por outro lado, alguns produtos registraram queda de preços. O frango inteiro ficou 1,96% mais barato, enquanto o frango em pedaços apresentou redução de 1,41%. As frutas tiveram queda média de 1,12%.
Os aumentos nos alimentos, especialmente em produtos de consumo cotidiano, afetam diretamente o orçamento das famílias, embora o impacto varie conforme os hábitos de consumo de cada domicílio.
O levantamento do IBGE também mostrou que 55% dos 377 produtos e serviços pesquisados tiveram aumento de preço em setembro. Em agosto, esse percentual havia sido de 54%.
Entre os demais grupos analisados, vestuário subiu 0,71%, comunicação avançou 0,64% e artigos de residência apresentaram alta de 0,27%.
Saúde e cuidados pessoais registrou variação de 0,08%, enquanto educação teve aumento de 0,04%.
O setor de serviços apresentou inflação de 0,61% no mês e acumula alta de 5,98% em 12 meses. Já os preços monitorados, que incluem itens sujeitos a contratos e regras específicas, avançaram 1,59% em setembro.
O IPCA é calculado a partir dos preços de produtos e serviços consumidos por famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos.
A pesquisa acompanha a evolução dos preços em diferentes regiões do país, incluindo Brasília e outras capitais brasileiras.
O resultado de setembro mostra que, mesmo após a deflação registrada em agosto, os aumentos na energia elétrica, nos combustíveis e nos alimentos voltaram a pressionar o custo de vida da população.
🔍 Fonte: Agência Brasil.



