Terras raras do Brasil despertam interesse do governo Donald Trump, segundo analista internacional, em meio à competição tecnológica, econômica e militar entre Washington e Pequim.
Ceilândia em Alerta – O interesse dos Estados Unidos pelas terras raras do Brasil está relacionado à disputa estratégica com a China pelo controle das cadeias de fornecimento de minerais essenciais à indústria tecnológica e militar. Essa é a avaliação do pesquisador de Relações Internacionais Ricardo Leães, apresentada em entrevista ao programa Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
Segundo o especialista, o governo do presidente norte-americano Donald Trump considera o acesso a minerais críticos uma prioridade de sua política externa. A preocupação está associada à posição ocupada pela China no processamento desses materiais, utilizados na fabricação de equipamentos eletrônicos, motores, sistemas de energia e tecnologias de defesa.
O Brasil aparece nesse cenário por possuir reservas de minerais considerados estratégicos. Canadá e Groenlândia também são mencionados pelo pesquisador como territórios de interesse para os Estados Unidos.
Leães argumenta que a busca por essas matérias-primas ajuda a explicar parte das iniciativas diplomáticas e econômicas adotadas por Washington em relação ao Brasil e a outros países.
A interpretação apresentada pelo pesquisador, entretanto, não significa que todas as medidas do governo norte-americano tenham como motivação comprovada o acesso às reservas minerais brasileiras.
Terras raras do Brasil e a disputa tecnológica com a China
As terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos utilizados em diferentes setores industriais. Apesar do nome, alguns desses elementos não são necessariamente escassos na natureza. A dificuldade está na extração, separação e no processamento em condições economicamente viáveis.
Esses minerais são importantes para a produção de ímãs de alto desempenho, veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas militares.
A China ocupa uma posição de destaque no processamento mundial de terras raras. Essa concentração preocupa os Estados Unidos, que procuram diversificar seus fornecedores e reduzir a dependência de cadeias produtivas controladas por empresas chinesas.
Na avaliação de Ricardo Leães, a política externa de Trump passou a atribuir maior importância a países com disponibilidade desses recursos naturais.
O pesquisador relaciona esse movimento às prioridades apresentadas na Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos, documento que orienta os objetivos de Washington em temas econômicos, militares e diplomáticos.
Para o Brasil, a discussão envolve não apenas a exploração mineral, mas também a possibilidade de desenvolver atividades industriais de maior valor agregado, como o processamento dos elementos e a fabricação de componentes tecnológicos.
A existência de reservas, por si só, não garante que um país domine as etapas mais lucrativas da cadeia produtiva. São necessários investimentos, tecnologia, infraestrutura e capacidade industrial.
Analista relaciona pressões econômicas à política externa dos EUA
Durante a entrevista, Ricardo Leães também analisou as relações entre Brasil e Estados Unidos desde a campanha presidencial norte-americana de 2024.
Segundo ele, integrantes do grupo político ligado a Trump já demonstravam preocupação com a participação brasileira no Brics, bloco de países que discute, entre outros temas, alternativas para ampliar o uso de moedas nacionais nas transações internacionais.
O pesquisador citou declarações de Marco Rubio, posteriormente integrante do governo Trump, como exemplos da atenção dada por Washington ao posicionamento internacional brasileiro.
Leães também mencionou as tarifas comerciais aplicadas a produtos brasileiros e as sanções direcionadas a autoridades do país.
Na avaliação do especialista, parte dessas medidas possui motivações políticas e geopolíticas que ultrapassam as justificativas econômicas apresentadas pelo governo norte-americano.
O governo dos Estados Unidos, por sua vez, tem defendido suas medidas comerciais e diplomáticas com base em interesses nacionais, segurança econômica e preocupações relacionadas às relações bilaterais.
A entrevista também abordou as eleições brasileiras de 2026. Leães avalia que declarações e iniciativas do governo Trump podem influenciar o ambiente político nacional, especialmente quando associadas à possibilidade de novas pressões econômicas ou sanções.
Ele ressalta, porém, que essa interpretação não corresponde a uma acusação de fraude na apuração eleitoral. O pesquisador diferencia a influência política externa de uma eventual manipulação dos resultados das urnas.
As afirmações sobre os objetivos eleitorais de Washington representam a análise do entrevistado e não demonstram, isoladamente, a existência de uma estratégia formal destinada a determinar o resultado das eleições brasileiras.
O debate sobre as terras raras evidencia uma questão econômica e diplomática mais ampla: como países detentores de recursos minerais estratégicos podem negociar sua exploração sem limitar sua participação à exportação de matérias-primas.
No caso brasileiro, as decisões sobre investimentos, processamento industrial, proteção ambiental e acordos internacionais poderão influenciar a posição do país nas cadeias globais de tecnologia.
🔍 Fonte: Brasil de Fato.



