A produção industrial brasileira fechou o ano de 2025 com crescimento acumulado de 0,6% em relação a 2024, apesar da desaceleração observada nos últimos meses do período. O desempenho positivo foi registrado em 10 dos 18 locais analisados, refletindo um cenário regional heterogêneo e fortemente influenciado pela atividade extrativa, especialmente a ligada ao petróleo, gás natural e mineração, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os resultados mais expressivos ao longo do ano vieram do Espírito Santo, que registrou alta de 11,6%, e do Rio de Janeiro, com crescimento de 5,1%. Em ambos os casos, o avanço esteve associado principalmente à expansão das indústrias extrativas. No Espírito Santo, o desempenho foi impulsionado pela extração de petróleo, minério de ferro e gás natural, enquanto no Rio de Janeiro o crescimento esteve concentrado na produção de petróleo e gás natural. Santa Catarina também teve papel relevante, com aumento de 3,2%, puxado sobretudo pelos setores de alimentos e de máquinas, aparelhos e materiais elétricos.
Outras unidades da federação também apresentaram resultados acima da média nacional no acumulado de 2025. Goiás e Rio Grande do Sul tiveram crescimento de 2,4% cada, Minas Gerais avançou 1,3% e o Pará registrou alta de 0,8%. Paraná e Bahia cresceram 0,3%, enquanto o Amazonas teve variação positiva de 0,1%, completando o grupo de regiões com saldo positivo no ano.
De acordo com o analista da pesquisa, Bernardo Almeida, o resultado anual reflete uma perda gradual de fôlego da indústria ao longo de 2025. “A indústria nacional encerrou 2025 com um avanço de 0,6%, resultado que reflete a perda de ritmo ao longo do ano, embora a maior parte das localidades pesquisadas (10 de 18) tenha registrado taxas positivas. A principal influência veio do Rio de Janeiro, cuja produção industrial cresceu 5,1%, impulsionada sobretudo pelo setor extrativo, com aumento na extração de petróleo e gás natural”, afirmou. Ele acrescenta que o Espírito Santo também teve papel central no resultado agregado: “Em seguida, destacou-se o Espírito Santo, com alta de 11,6%, também sustentada pelo setor extrativo, graças ao crescimento na extração de petróleo, minério de ferro e gás natural”.
Na outra ponta, São Paulo exerceu a principal influência negativa no acumulado do ano, com retração de 2,2%. Segundo Bernardo Almeida, o resultado paulista foi impactado principalmente pelos setores de derivados do petróleo e farmacêutico. “Entre os setores que mais contribuíram para esse desempenho estão o de derivados do petróleo, com quedas na produção de álcool etílico, óleo diesel, gasolina automotiva, asfalto de petróleo e naftas, e o setor farmacêutico, que também exerceu impacto significativo ao registrar redução na fabricação de medicamentos”, explicou.
As maiores quedas acumuladas em 2025 foram observadas em Mato Grosso do Sul (-12,9%) e no Rio Grande do Norte (-11,6%), ambos com recuos de dois dígitos. Também apresentaram resultados negativos Mato Grosso (-5,8%), Maranhão (-5,1%), Pernambuco (-3,8%), a Região Nordeste como um todo (-0,8%) e o Ceará (-0,6%).
No recorte mensal, a indústria nacional registrou queda de 1,2% na passagem de novembro para dezembro de 2025, com 12 dos 15 locais pesquisados apresentando retração. As perdas mais intensas ocorreram na Bahia (-10,1%) e no Pará (-9,2%). A indústria baiana teve o maior recuo desde março de 2021, eliminando o ganho acumulado nos dois meses anteriores. No Pará, o resultado marcou o quarto mês consecutivo de queda, acumulando perda de 13,4% no período.
Outras regiões também registraram retrações mais acentuadas que a média nacional em dezembro, como Amazonas (-5,2%), Região Nordeste (-5,1%), Espírito Santo (-5,0%), Minas Gerais (-4,7%) e Santa Catarina (-2,8%). São Paulo recuou 1,6%, acumulando a quarta taxa negativa seguida. “Tivemos um espalhamento de taxas negativas nessa passagem de novembro para dezembro. A taxa de juros em patamares elevados e uma política monetária contracionista ajudam a explicar os resultados, além de dezembro ser um mês no qual diversas plantas industriais aplicam férias coletivas, recaindo em queda no ritmo de produção”, avaliou Bernardo Almeida.
Apesar do cenário adverso no fim do ano, alguns estados apresentaram crescimento na comparação mensal. O Rio de Janeiro avançou 2,3% em dezembro, revertendo a queda registrada em novembro. Mato Grosso teve alta de 1,3% e Pernambuco cresceu 0,8% no mesmo período.
Na comparação entre dezembro de 2025 e o mesmo mês de 2024, a produção industrial nacional avançou 0,4%, com resultados positivos em oito dos 18 locais pesquisados. Espírito Santo (19,9%) e Rio de Janeiro (10,3%) novamente se destacaram, ambos com crescimentos de dois dígitos. Também apresentaram altas acima da média nacional Rio Grande do Sul (4,9%), Mato Grosso (2,9%), Minas Gerais (2,0%), Ceará (2,0%) e Pernambuco (1,5%).
A Pesquisa Industrial Mensal Regional é realizada desde a década de 1970 e acompanha, mensalmente, o desempenho da produção física das indústrias extrativas e de transformação em 17 unidades da federação e no agregado do Nordeste. Os próximos resultados da pesquisa estão previstos para divulgação em 13 de março, segundo o IBGE.
Com informações do Brasil247
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