Enrolação e cautela: como PF e PGR reagiram às propostas de Vorcaro por acordo de delação

A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda não chegaram a um acordo com a defesa de Daniel Vorcaro sobre a proposta de delação premiada do ex-controlador do Banco Master. As negociações começaram em março, quando o banqueiro foi preso preventivamente pela segunda vez, mas os anexos apresentados até agora são considerados insuficientes por investigadores.

Integrantes da PF avaliam que o material entregue pela defesa carece de fatos novos e meios de prova, requisitos considerados essenciais para uma colaboração. Também há a percepção de que Vorcaro não estaria disposto a cooperar de forma efetiva e buscaria apenas ganhar tempo longe de um presídio comum.

Após firmar um acordo de confidencialidade, etapa inicial das tratativas, Vorcaro foi autorizado a permanecer em uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. No local, ele recebe diariamente seus advogados das 9h às 17h.

O benefício, no entanto, termina nesta sexta-feira. Depois disso, o ex-banqueiro deverá seguir o procedimento padrão da unidade, com visitas de até dois advogados e limite de 30 minutos para cada atendimento.

Interlocutores com acesso ao conteúdo afirmaram ao Globo que os anexos mencionam o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que nega irregularidades, e o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Uma troca de mensagens já revelou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu recursos a Vorcaro para a produção.

A defesa do banqueiro, comandada pelo criminalista Sérgio Leonardo, sustenta que o material apresentado na semana passada traz um conjunto de histórias inéditas e consistentes. Para interlocutores dos advogados, há má vontade dos investigadores em avançar com o acordo.

Na PGR, a postura é mais cautelosa. Procuradores seguem analisando os novos anexos e ainda não tomaram uma decisão sobre o futuro da proposta. A avaliação, nos bastidores, é que o material precisa demonstrar de forma mais clara a capacidade de entregar fatos inéditos e elementos de corroboração, como documentos, registros ou outros meios independentes de prova.

Paulo Gonet, procurador-Geral da República. Foto: reprodução

Também há dúvidas sobre o alcance da documentação que Vorcaro ainda consegue acessar. Parte do material considerado relevante pode não estar mais sob seu controle direto desde a liquidação do Banco Master e a transferência da gestão para um administrador responsável pelo processo.

A PF e a PGR têm adotado estratégias diferentes. Em maio, os delegados chegaram a deixar a mesa de negociação após rejeitarem a primeira proposta, enquanto os procuradores mantiveram contato com a defesa. Para integrantes da PGR, embora o material ainda seja insuficiente, um detalhamento maior poderia surgir em depoimentos, caso haja sinal verde para avançar.

A tendência atual é que, da forma como está, a nova proposta seja recusada pela PF. Os investigadores entendem que ela não vai muito além do que já foi descoberto nas oito fases da Operação Compliance Zero, com apreensão de celulares e documentos. Ainda assim, uma nova reunião deve ocorrer nesta semana para discutir se haverá pedido de complementação ou interrupção das tratativas.

Um acordo de delação premiada exige confissão de crimes, pagamento de multa e entrega de provas. Em troca, o investigado pode obter benefícios como redução de pena ou progressão de regime. Para ter validade, a colaboração precisa ser homologada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), que já indicou não aceitar acordo sem fatos novos.

Com informações DCM

Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

Compartilhar:

Deixe um comentário