O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo e ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a aproximação política do governador Tarcísio de Freitas e do senador Flávio Bolsonaro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teve consequências econômicas para São Paulo. A declaração ocorre em meio à escalada das tensões comerciais entre Brasil e EUA e após entidades empresariais dos dois países defenderem mais tempo para negociações que evitem a entrada em vigor das tarifas anunciadas por Trump sobre produtos brasileiros.
Em publicação nas redes sociais, Haddad escreveu: “A aproximação de Tarcísio e Flávio Bolsonaro com Trump teve custo para São Paulo. Enquanto o Brasil cresceu 2,3% no ano passado, a economia paulista avançou apenas 0,5%. O país andou, mas São Paulo ficou para trás. E isso não aconteceu por acaso. É resultado também da condução política de Tarcísio, que defende dar vitórias ao Trump. Quem defende São Paulo não bate continência para o entreguismo.”
Crise comercial amplia desgaste político
A manifestação de Haddad foi feita em um momento em que o setor produtivo busca reduzir a tensão entre Brasília e Washington. Em comunicado conjunto, a Câmara de Comércio dos Estados Unidos (U.S. Chamber of Commerce) e a Amcham Brasil defenderam a intensificação das negociações entre os governos e pediram o adiamento da aplicação das tarifas de 50% anunciadas por Trump contra produtos brasileiros. As entidades alertam para os impactos sobre cadeias produtivas integradas e sobre milhares de empresas que operam nos dois países.
O posicionamento do empresariado reforça a avaliação de que a deterioração das relações bilaterais poderá gerar perdas para exportadores, investidores e trabalhadores tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, caso não haja uma solução negociada antes da entrada em vigor das medidas.
Haddad associa bolsonarismo ao isolamento internacional
Ao mencionar Tarcísio de Freitas e Flávio Bolsonaro, Haddad procurou estabelecer uma relação entre o alinhamento político do campo bolsonarista ao governo Trump e os riscos econômicos decorrentes da atual crise comercial. Segundo o pré-candidato petista, a defesa de posições favoráveis ao presidente norte-americano contrasta com os interesses da economia paulista.
A crítica ganha força no momento em que representantes da indústria e do comércio defendem a preservação da relação econômica entre os dois países. O comércio bilateral movimenta dezenas de bilhões de dólares por ano, e empresários dos dois lados da relação comercial alertam que uma escalada tarifária produzirá prejuízos compartilhados, afetando exportações, investimentos e empregos.
Debate deve marcar a disputa paulista
A publicação de Haddad indica que a política externa e seus reflexos econômicos deverão integrar o debate da sucessão paulista. Ao vincular o desempenho da economia de São Paulo às escolhas políticas do governador, o petista procura apresentar a defesa da soberania nacional e da produção brasileira como elementos centrais da disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.
A declaração também converge com o ambiente político criado após a reação de entidades empresariais brasileiras e norte-americanas, que passaram a pressionar por uma saída negociada para evitar que o conflito comercial se transforme em perdas concretas para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países.
*Com informações do Brasil247.



