Ministro diz que temas centrais de 2026 serão quem paga a conta e a defesa da soberania e critica política de segurança baseada no “medo e no sangue”
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou em entrevista ao jornal Valor Econômico que as eleições de 2026 não serão pautadas pela segurança pública, como aposta a oposição, mas por dois temas centrais: “quem paga a conta” e soberania nacional. Segundo ele, o debate eleitoral deve girar em torno da defesa dos interesses do povo contra o poder dos bilionários.
“Quem está do lado do povo e quem está do lado dos bilionários? Para mim, esses dois temas vão separar o joio do trigo na eleição”, afirmou Boulos, que deve atuar como coordenador informal da campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Crítica à “demagogia do medo e do sangue”
O ministro reagiu às críticas de que Lula teria cometido um erro ao chamar de “matança” a operação policial nas comunidades da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, que resultou em mais de 120 mortes.
“Dizer que uma operação que matou mais de 120 pessoas não foi uma matança? Então temos que ressignificar a língua portuguesa”, declarou.
Boulos defendeu que o governo não deve se pautar por uma “demagogia do medo e do sangue”, criticando o modelo de segurança pública defendido pelo governador do Rio, Cláudio Castro (PL). Para ele, o combate ao crime deve se concentrar nas lideranças do tráfico e ser feito “com inteligência, não com pirotecnia”.
“Eles querem usar a insegurança da população para fazer política à base do medo. Nós queremos enfrentar de verdade o problema da segurança, pegando o peixe grande”, resumiu.
Soberania e disputa geopolítica
Ao abordar a política externa e os riscos de interferência estrangeira, Boulos apontou que a soberania será um eixo central da campanha.
“Temos um ataque à soberania nacional no conjunto da América Latina, até com ameaças militares. Do lado de lá, há quem se esconda debaixo da saia do Donald Trump. Do lado de cá, temos um presidente que defende o Brasil e não aceita ser tratado como colônia”, disse.
O ministro criticou ainda o projeto da oposição que pretende enquadrar o narcotráfico como terrorismo. Segundo ele, a proposta abre brechas para que os Estados Unidos utilizem sua legislação antiterrorismo no território brasileiro.
“Classificar como terrorismo significa dar condições para que os Estados Unidos adotem sua própria lei antiterrorismo aqui. Isso é um consórcio de traição à pátria”, afirmou.
Aproximação com forças de segurança e trabalhadores de aplicativos
Boulos revelou que já iniciou diálogos com representantes das forças de segurança, um grupo que, segundo ele, tem sido cooptado pela extrema direita.
“O diálogo com os trabalhadores de segurança é importante, para além da demagogia do sangue. Isso não soluciona nada nem para os trabalhadores nem para a população”, observou.
Em relação aos motoristas e entregadores de aplicativos — outro segmento de resistência ao governo — o ministro informou que está alinhado ao ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e que ambos vão criar grupos de trabalho para discutir um modelo de regulação que garanta direitos e segurança previdenciária.
“Essas plataformas precisam assumir responsabilidades. A situação delas hoje é muito cômoda. É plenamente possível e necessário que elas arquem com uma parte significativamente maior da alíquota previdenciária”, destacou.
Diálogo com evangélicos e o programa “Governo na rua”
Boulos também tem a missão de aproximar o governo de segmentos evangélicos, tradicionalmente associados ao bolsonarismo.
“O pior erro que a esquerda pode cometer é julgar os mais de 40 ou 50 milhões de evangélicos pela régua do Silas Malafaia”, afirmou.
Ele ressaltou que boa parte da população evangélica está nas periferias e que o governo deve dialogar com esse público a partir das políticas sociais.
“O povo evangélico está nas periferias, com uma quantidade expressiva de mulheres negras, tem filhos na escola pública e depende de políticas públicas. O diálogo deve ser no campo social, não moral”, disse.
O ministro anunciou ainda o programa “Governo na rua”, que prevê visitas às periferias das capitais e regiões metropolitanas para escutar diretamente as demandas populares.
“O presidente me pediu para ampliar o processo de participação social indo até as pessoas. Nem todos conseguem vir a Brasília. Nós é que temos que ir até elas”, explicou.
Fonte: brasil247
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