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Lula está buscando apoio na direita mas troca de vice é pouco provável

Nesta conversa, Lula acenou com a escolha de um emedebista como seu companheiro de chapa, mas tanto quanto os Calheiros ele sabia que a conversa tinha pouco futuro: para emplacar alguém como vice na chapa de Lula, o fragmentado MDB teria que se unir para aprovar uma coligação com o PT. Convenhamos que dificilmente isso aconteceria no partido do “golpista” Temer, como Lula o chama, sem falar em outros caciques que lhe são hostis, como o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, apoiador de Tarcísio de Freitas.

O vazamento da informação sobre o encontro (que até permaneceu muito tempo em segredo para os padrões brasilienses), juntamente com a declaração de Lula ao UOL de que Geraldo Alckmin, juntamente com os ministros Haddad e Simone Tebet, tem um papel a cumprir na eleição paulista, fez soar o alarme no entorno do vice e em seu partido, o PSB. Coincidência ou não, Lula recebeu nesta terça-feira o prefeito de Recife, João Campos, a quem garantiu que as notícias sobre troca do vice são apenas “balões de ensaio”. Mais cedo, o presidente do PT, Edinho Silva, havia garantido que Alckmin “será candidato ao que ele quiser”. Uma boa frase que também não resiste à realidade política: Alckmin não será candidato a vice se Lula negociar a vaga com outro partido.

Balões de ensaio, em política, não flutuam e ganham as mídias por geração espontânea. As especulações sobre mudança na chapa de Lula decorrem dos movimentos do próprio presidente, neste momento dedicadíssimo a armar seu jogo para a disputa eleitoral. Acenar com o lugar de vice é um trunfo de que ele se vale quando tenta atrair partidos de direita para alargar sua aliança, mas não se deve apostar nisso, diz um auxiliar de Lula. Ele sabe que partidos do Centrão, e não apenas o MDB, dificilmente teriam unidade para entrar oficialmente na coligação lulista.

Para Lula, estará de bom tamanho se partidos como o MDB, o PP e o União Brasil não entrarem na coligação de apoio a Flávio Bolsonaro, deixando de carrear tempo de rádio e TV e verbas do fundo eleitoral para o adversário, o que também realçaria o isolamento político do pré-candidato do PL, que até agora não conquistou um só apoio partidário formal.

O lançamento da candidatura de Flávio por seu pai, ignorando os aliados, gerou o clima de barata-voa entre os caciques do Centrão: já que Bolsonaro pensou só em sua família, eles também vão pensar na própria sobrevivência. Foi isso que levou o senador Ciro Nogueira, presidente do PP, a encontrar-se com Lula para discutirem um arranjo em seu favor no Piauí, onde sua reeleição para o Senado é arriscada.

Ciro garantiria a neutralidade do PP e também do União Brasil, partidos que estão formando uma federação, na eleição presidencial. Seu leal afilhado Hugo Motta evitaria, na Câmara, situações que não interessariam nem ao Governo nem aos partidos do Centrão. Por exemplo, a CPI do Banco Master, que Motta tratou ontem de inviabilizar ao decidir que, para ser instalada, ela terá que ficar na fila das CPIs já requeridas. Há 15 na frente.

De sua parte, durante a campanha Lula teria que não pisar no Piauí, estado onde obteve a maior votação em 2022. Isso é difícil. O governador petista Rafael Fonteles, candidato à reeleição, sacrificaria um de seus candidatos ao Senado, Marcelo de Castro ou Júlio César, abrindo caminho para a reeleição de Ciro Nogueira. Esta negociação, segundo fontes dos dois lados, não foi fechada. Estaria ainda em curso. Diz-se que Ciro não gostou do vazamento da informação sobre o encontro, o que ele atribui a Lula, e por isso voltou a falar em apoio a Flávio, desde que ele adote um discurso menos ideológico. Jogo de cena também.

No Ceará, o jogo para isolar Ciro

Escalado por Lula para reforçar a articulação de seu palanque no Ceará, o ministro da Educação, Camilo Santana, trabalha para afastar o União Brasil e o PP da eventual candidatura de Ciro Gomes, o que pode inviabilizá-la.

Os dois partidos federados apoiariam a reeleição do governador petista Elmano de Freitas, fortalecendo por tabela a campanha de Lula. Mas, para o PT, isso teria um custo talvez amargo: a candidatura ao Senado do líder do governo na Câmara, José Guimarães, seria sacrificada, em favor da candidatura de Moses Rodrigues (União).

O substituto de Tebet

Armando seu jogo, Lula ainda não desistiu de ter o ministro Fernando Haddad como candidato ao governo de São Paulo. Ontem o ministro revelou, em evento na capital paulista, que ficará mais tempo no cargo, a pedido de Lula. Eles devem conversar muito durante a viagem para a Índia e a Coreia do Sul.

No PT, entretanto, já se diz que, se Haddad aceitar uma candidatura, será ao Senado. Para o governo do estado seria difícil agora ele justificar uma reconsideração, depois de dizer tantas vezes que não aceitaria concorrer. O mínimo que os adversários diriam é que ele seria um governador inapetente. Ou que seria pau-mandado de Lula.

E assim, a bola vai correndo para os pés da ministra Simone Tebet, embora haja para ela o problema de trocar de partido. O nome do sucessor dela já foi definido. Deve ser o economista Bruno Moretti, secretário da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobras.

Com informações do Brasil247

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