Jornalistas queixam-se das ameaças à liberdade de de imprensa.
A liberdade de imprensa no Brasil tem sido um tema de debate permanente que se acentuou, nos últimos dias, com a divulgação do relatório da Associação Brasileira de Rádio e Televisão (ABERT) e o Dia do Jornalista, na quarta-feira (7). O relatório mostra a violação à liberdade de expressão, pelo menos a 189 profissionais e veículos de comunicação, além do assassinato de um jornalista pelo exercício da profissão. “O país está precisando de diálogo, paciência e paz”, destacou o presidente da ABERT, Flávio Lara Resende.
Ameaças, ofensas e intimidações
O relatório sobre liberdade de imprensa mostra que, em relação a 2019, houve um aumento de 167,85% no número de casos não letais e de 142,3% no número de vítimas. Os dados chamam a atenção, em especial, pelo fato de as agressões físicas, ameaças, ofensas e intimidações terem ocorrido em um ano marcado pela pandemia de COVID-19, quando medidas restritivas foram impostas à população para o combate ao novo coronavírus.
Sem censura e sem cerceamento
Hélio Doyle, Diretor d ABI (Foto:Nilson Carvalho
“Liberdade de imprensa é mais do que o direito que tem o jornalista de escrever e transmitir livremente, sem censura, sem cerceamento”, afirmou o Diretor da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), em Brasília, jornalista Hélio Doyle. O Diretor da ABI frisa que “para que a liberdade de imprensa seja real, é preciso que os veículos, de qualquer tipo, possam publicar e difundir seu conteúdo sem limites definidos por legislações autoritárias, pressões, constrangimentos e submissão aos poderes político e econômico”. O jornalista enfatizou que “é preciso que as informações de interesse público sejam liberadas sem restrições e que os profissionais não sejam perseguidos, ofendidos, agredidos e assassinados”.
Seis agressões por minuto
De acordo com a ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF), que já tive o privilégio de representar no Brasil, entre 180 países avaliados, o Brasil figura na posição 107 no ranking de liberdade de imprensa, a pior colocação desde o início da contagem, em 2002.O levantamento aponta que a imprensa sofreu 7.945 ataques virtuais por dia, ou quase 6 agressões por minuto
Dia do jornalista, triste
Deputado Bibo Nunes (PSL/RS)
No Parlamento, a opinião de deputados são diversas no que diz respeito à imprensa. O Vice-líder do PSL, na Câmara, deputado Bibo Nunes, registrou, no Dia do Jornalista: “Dia do jornalista muito triste! Nunca na história do Brasil se viu tanta imprensa marrom, empresas que se pautam pelo apoio financeiro. Se põe dinheiro elogia, se não põe senta o pau.
Eu, sendo da área, me sinto envergonhado”.
Nunca generalizando, pois, a maioria é séria!”
Liberdade de imprensa liberta
Daniel Trzeciak : “imprensa livre informa e combate a desinformação”
Já o deputado Daniel Trzeciak (PSDB/RS), disse à coluna que “como jornalista de formação, tenho para mim um sentido muito claro no que significa liberdade de imprensa.
É princípio básico de um regime que se diz democrático. Uma imprensa livre informa e combate a desinformação. Trabalho jornalístico livre preocupa-se em informar sem qualquer medo ou interesse. Liga o cidadão ao conhecimento, à crítica, à opinião. Liberdade de imprensa liberta”
Democracia Viva
Para o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello, uma das mentes mais lúcidas que já passaram pelo Supremo, “se há interesse em manter a democracia viva, é preciso prestigiar a imprensa livre, a única capaz de jogar luz naquilo que as autoridades pretendem manter nas sombras”.
Garantia da Constituição
Constituição Federal do Brasil (1988)
A manifestação de pensamento, no Brasil, é garantida pelo artigo 220 da Constituição, aprovada pela Assembleia Nacional Constituinte de 1988. que tive o privilégio, como diretor-executivo da ANJ, a época, juntamente com o então deputado relator Nelson Jobim, e o vice-presidente da Associação Nacional de Jornais, Fernando Ernesto Correa, participar das reuniões e debates com parlamentares para aprovação do texto eu resultou no artigo 220 da Constituição brasileira.
Redes Sociais “a grande cartada”
Professor Carlos Alberto Di Franco, Universidade de Navarra
Já no início do gorno Bolsonaro, o jornalista e professor, Carlos Alberto Di Franco, da Universidade de Navarra (Espanha) escreveu para o Repórter Brasília que “Bolsonaro não morre de amores pela imprensa.
Acredita, equivocadamente, que as redes sociais são a grande cartada. Não percebe que agenda pública continua sendo determinada pelas empresas jornalísticas tradicionais.
O que ele conversa com a família, com os assessores e com os amigos, no Palácio da Alvorada ou no Planalto, goste ou não, foi sussurrado por uma pauta de jornal.
As redes sociais reverberam, multiplicam. Mas o pontapé inicial foi dado por um repórter.
Bolsonaro precisa conversar com a mídia, superar seus ressentimentos, vencer seus dragões interiores. Esgarçar relações nunca é um bom caminho”.
Mudando postura
Parece que só, agora, o presidente Jair Bolsonaro começou a entender isso e está, aos poucos, mudando sua postura beligerante, em relação à imprensa.
Relação promíscua
Ainda refletindo sobre os conselhos de comunicação do mestre em comunicação Carlos Alberto Di Franco, governo e imprensa não podem ter uma relação promíscua.
“É salutar certa tensão entre as instituições. Mas precisam conversar. São peças essenciais da estrutura democrática. Aguardo –já o disse outras vezes- que Bolsonaro desça do palanque e assuma o papel de presidente de todos os brasileiros.
Espero, também, que nós, jornalistas, deponhamos as armas da militância e façamos jornalismo”.
vigor persuasivo da verdade
Jornalismo é a busca do essencial, sem adereços, adjetivos ou adornos. “O jornalismo transformador é substantivo.
Sua força não está na ideologia, mas no vigor persuasivo da verdade factual e na integridade da sua opinião”.
Mercenários da Notícia
Mercenários da notícia, fake news
Esta na hora de acabar com “ os mercenários da notícia”, com fake news, e militância política na comunicação, seguir o caminho do bom jornalismo, com ddenúncias, posições fortes, mas com equilibrio e números que se sustentem. Só assim, a imprensa terá o respeito da população.
Excesso de negativismo
A informação duvidosa, e sem consistência, não fortalece a credibilidade e incomoda crescentemente seus próprios leitores. Consumidores de notícias mostram cansaço com o excesso de negativismo, de nossas pautas.Trata-se de um fato percebido nas redes sociais
Direito do povo
“Não há pessoas nem sociedades livres sem liberdade de expressão e de imprensa. O exercício dessa não é uma concessão das autoridades, é um direito inalienável do povo.” Esse é o primeiro dos 10 princípios da Declaração de Chapultepec, elaborada por 100 especialistas reunidos no suntuoso Castelo Chapultepec, na Cidade do México, em 1994. Desde então, ela foi subscrita por presidentes de diversos países, entre eles o do Brasil.
O documento impôs-se como referência na América Latina.
Não há democracia sem imprensa livre
Ranking, Liberdade de Imprensa, ilustração
Liberdade de imprensa e democracia são indissociáveis. Não há democracia sem imprensa livre.
Essa relação nem sempre é bem compreendida, sobretudo na América do Sul, palco de terríveis ditaduras militares. Os regimes de exceção recorreram à censura para impedir o livre exercício de jornalistas dos mais diferentes veículos e evitar que os desmandos, próprios do autoritarismo, fossem de domínio público.
Esperamos que o Brasil, com seus problemas que surgem, a cada dia, nas diversas área, inclusive, nas militares, não rume por esse caminho.
Asfixiar as empresas
O presidente da ANJ, Marcelo Rech, tem reiterado, que há método no comportamento autoritário: primeiro, torna-se ilegítima a crítica; depois, mudam-se leis para criar obstáculos ao trabalho da imprensa; e, por fim, procura-se asfixiar economicamente as empresas de comunicação”
Independência jornalística
Marcelo Rech: ”Há necessidade de juízes comprometidos com a liberdade de expressão”
Se há interesse em manter a democracia viva e íntegra, é preciso prestigiar a imprensa livre, em meio à epidemia de notícias falsas e de “realidades alternativas”, instrumentos para formar opinião acerca dos fatos – e apenas dos fatos, checados e comprovados por jornalistas profissionais”, assinala o jornalista Marcelo Rech. “Para que a imprensa seja efetivamente livre, é preciso que haja juízes comprometidos umbilicalmente com a liberdade de expressão”, enfatizou o presidente da ANJ.
Negócios de comunicação
A imprensa, mais do que nunca, passa pelo desafio de encontrar meios de se sustentar para continuar seu trabalho de forma independente e questionadora, em meio à transformação acelerada do ambiente midiático, que vem alterando dramaticamente o modelo de negócios da comunicação. “O principal perigo que a imprensa mundial está correndo é a viabilidade econômica, sem a qual não há independência jornalística”, disse o então presidente da Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias (WAN-IFRA), Fernando de Yarza López-Madrazo.
Nada mais atual, no momento em que o mundo enfrenta enormes crises, não só do coronavírus, mas econômicas como um todo.
Princípios de responsabilidade
A ANJ, criada em 1979, como resposta a necessidade de reafirmar a importância da liberdade de imprensa num momento em que regime militar ensaiava a abertura política, simbolizada pelo fim do AI-5, que havia estabelecido diversas medidas de força, entre as quais a censura um dos ícones da defesa da liberdade de imprensa no país, em “sustentar a liberdade de expressão do pensamento e da propaganda, e o funcionamento sem restrições da imprensa, observados os princípios de responsabilidade”, como se lê no primeiro objetivo exposto no Estatuto da ANJ.
Marcelo Rech, que é jornalista e em sua trajetória de sucesso, passou por redações, conhece bem as dificuldades enfrentadas por jornalistas e veículos de comunicação. Hoje, além de suas atividades profissionais, na Comunicação, ministra palestras no Brasil e no exterior, defendendo, com argumentos, competência e conteúdo, a liberdade de imprensa, um dos principais sustentáculos da democracia. Missão difícil.
Repórter Brasília, Edgar Lisboa/ Agência Digital News
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