A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) reagiu publicamente aos ataques transfóbicos que recebeu após assumir a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. A parlamentar utilizou as redes sociais para comentar a repercussão do caso e defender a legitimidade de sua eleição para o cargo.
A eleição de Hilton para o comando da comissão gerou ataques de parlamentares ligados ao centrão e à extrema direita, que questionaram o fato de uma mulher trans presidir o colegiado. Fora do campo político, entre os comentários que repercutiram, foi a do apresentador Ratinho, do SBT, que afirmou ao vivo em seu programa que a deputada não deveria ocupar o cargo por, segundo ele, não ser uma mulher — declaração que gerou forte repercussão e críticas nas redes sociais.
Diante das manifestações, Erika Hilton publicou um texto em que celebrou a conquista e afirmou que a eleição representa uma resposta histórica ao preconceito e à exclusão social enfrentada por mulheres trans e outras populações vulneráveis.
“Hoje dei mais um passo na reparação da minha própria história e também na reparação da história de tantas mulheres que tiveram suas dignidades negadas.”
No texto, a deputada destacou que a desigualdade no Brasil vai além da identidade de gênero e envolve fatores estruturais que afetam o acesso a direitos e oportunidades.
“Porque não é apenas a questão trans que determina como uma mulher será tratada ou destratada. A raça, a classe, o CEP e tantas outras condições ainda definem, quem tem direitos garantidos e quem precisa lutar todos os dias para existir com dignidade.”
A parlamentar também ressaltou que a presidência da comissão representa uma conquista política obtida após enfrentar resistências dentro do próprio Congresso Nacional.
“Por isso, hoje ocupei com honra, alegria e um sabor muito especial de vitória a presidência da Comissão da Mulher (uma vitória construída enfrentando e derrotando o centrão e a extrema direita).”
Hilton também reagiu de forma contundente às críticas feitas por opositores e afirmou não se preocupar com ataques de caráter transfóbico.“E não estou nem um pouco preocupada se o esgoto da sociedade não gostou.A opinião de transfóbicos e imbeCIS é a última coisa que me importa.”
Ao refletir sobre sua trajetória pessoal, a deputada afirmou que sua eleição carrega um significado simbólico para sua história e para outras pessoas que enfrentam discriminação.“Hoje fiz história por mim, que tive minha adolescência e minha dignidade roubada pelo preconceito e discriminação.”
Ela também dedicou a conquista à comunidade trans, lembrando que o grupo ainda enfrenta altos índices de violência e exclusão social no país.
“Hoje fiz história pela minha comunidade, que ainda enfrenta os piores índices em praticamente todos os aspectos da vida social.”Na publicação, Hilton afirmou que sua atuação à frente da comissão será voltada ao debate sobre políticas públicas para mulheres e ao enfrentamento da violência de gênero.“E é isso que vai ficar: não o ódio, não o ranço, não a raiva dos que tentam nos apagar.”
“Podem espernear. Podem latir. Eu sou a presidenta da Comissão da Mulher.E foi a minha luta, a minha história e a minha garra que me trouxeram até aqui.”
A deputada concluiu dizendo que pretende ampliar o debate sobre os desafios enfrentados por diferentes grupos de mulheres no Brasil e defender ações conjuntas contra a violência.“E agora faremos um debate sobre todas as mulheres pq somente unidas podemos frear a violência que nos assola.”
Hoje dei mais um passo na reparação da minha própria história e também na reparação da história de tantas mulheres que tiveram suas dignidades negadas.
— ERIKA HILTON (@ErikakHilton) March 12, 2026
Porque não é apenas a questão trans que determina como uma mulher será tratada ou destratada
A raça, a classe, o CEP e tantas… pic.twitter.com/DK05PBqKXy
Com informações do Brasil247
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