Após PF recusar delação, investigadores avaliam que Vorcaro não deve escapar de condenação

Investigadores consideram que provas já reunidas sustentam acusações contra o ex-banqueiro e que apurações em andamento devem produzir mais evidências

247 – A rejeição da segunda proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro reforçou, nos bastidores da investigação sobre o Banco Master, a avaliação de que o ex-banqueiro enfrenta um cenário cada vez mais delicado na Justiça. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (12) pelo jornalista Valdo Cruz, do G1.

Segundo fontes ligadas às apurações ouvidas pela coluna do jornalista Valdo Cruz, do G1, investigadores da Polícia Federa (PF)l consideram que o material reunido até o momento já é suficientemente robusto para sustentar eventual condenação de Vorcaro no âmbito das investigações sobre supostas fraudes bancárias envolvendo o Banco Master.

Fraudes bilionárias estão no centro da investigação

As investigações da PF apontam para supostas irregularidades na venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). De acordo com os investigadores, a operação teria sido utilizada para fortalecer a capitalização da instituição financeira controlada por Vorcaro.

Segundo a PF, cerca de R$ 12 bilhões em créditos considerados fraudulentos foram transferidos ao BRB. A operação, conforme a investigação, teria sido acertada entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do banco público do Distrito Federal.

As apurações também examinam possíveis conexões políticas relacionadas ao negócio. Investigadores avaliam que a operação teria envolvido interlocuções com integrantes do Centrão e com o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que nega qualquer participação em irregularidades.

Delação de Vorcaro é rejeitada

A nova proposta de colaboração premiada apresentada por Daniel Vorcaro foi rejeitada pela Polícia Federal. Nos bastidores da investigação, a expectativa é de que o acordo também enfrente dificuldades para avançar na Procuradoria-Geral da República (PGR).

A avaliação das autoridades é que a colaboração apresentada pelo banqueiro não trouxe elementos considerados suficientes para alterar substancialmente o rumo das investigações.

Enquanto isso, a possível delação do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa permanece em compasso de espera. O termo de confidencialidade necessário para formalizar o acordo ainda não foi assinado, mas investigadores avaliam que a colaboração do ex-dirigente do BRB pode ganhar relevância diante do fracasso das negociações com Vorcaro.

Investigação deve avançar no segundo semestre

Nos bastidores da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República e do gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), prevalece o entendimento de que a estratégia adotada por Vorcaro pode não produzir os resultados esperados.

A avaliação é que apostar em uma futura reversão do cenário judicial para evitar eventual prisão ou condenação representa um caminho de alto risco diante do conjunto de evidências já reunido.

Além disso, as investigações sobre as supostas fraudes bancárias e sobre as relações políticas atribuídas ao empresário devem prosseguir ao longo do segundo semestre. A expectativa dos investigadores é que novas diligências resultem na produção de mais provas, ampliando a pressão jurídica sobre Daniel Vorcaro e fortalecendo as acusações em análise.

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