Texto prevê reabertura do Estreito de Ormuz, fim de sanções portuárias dos EUA e desmantelamento nuclear do Irã
Uma autoridade do governo dos Estados Unidos detalhou, nesta sexta-feira (12/6), os principais pontos do acordo em negociação com o Irã para o fim das hostilidades no Oriente Médio.
A proposta prevê uma série de medidas voltadas para encerrar o impasse entre Washington e Teerã, incluindo a reabertura do Estreito de Ormuz, o fim do bloqueio norte-americano aos portos iranianos e o desmantelamento do programa nuclear iraniano.
As informações foram divulgadas pela pela CNN Internacional.
Pela proposta, o material nuclear enriquecido pelo Irã seria transferido para os Estados Unidos, onde seria destruído antes de ser retirado do país. Em troca, Teerã poderia obter um alívio gradual das sanções econômicas impostas por Washington.
A fonte ressaltou, porém, que os benefícios econômicos não seriam concedidos imediatamente após a assinatura do memorando de entendimento. Segundo o funcionário, qualquer flexibilização das sanções dependerá do cumprimento efetivo das obrigações assumidas pelo governo iraniano.
“Os iranianos não recebem nada no momento da assinatura do memorando de entendimento nem durante a própria negociação”, afirmou a autoridade. “O que eles recebem são recompensas econômicas pelo cumprimento de suas obrigações no âmbito do acordo.”
Ainda de acordo com a fonte, o Irã receberia compensações graduais à medida que entregasse o material nuclear prometido, desmantelasse instalações ligadas ao programa atômico e demonstrasse compromisso com a estabilidade regional. O alívio das sanções tem sido um dos principais pontos de divergência nas negociações entre os dois países.
Paquistão diz que concluiu acordo entre EUA e Irã
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou, também nesta sexta, que o texto final de um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã foi concluído após negociações entre as partes.
“Podemos confirmar que um texto final, acordado por ambas as partes, do acordo de paz, foi alcançado. E o Paquistão está agora trabalhando em estreita colaboração com os dois lados para finalizar os próximos passos”, escreveu Sharif na rede social X.
O Paquistão tem atuado como um dos interlocutores nas negociações, buscando facilitar o diálogo entre os dois países e evitar um agravamento do conflito no Oriente Médio. A expectativa é que novas informações sobre o acordo sejam divulgadas nos próximos dias.
A declaração ocorre em meio a sinais de avanço nas negociações para encerrar a crise entre Washington e Teerã.
Também nesta sexta, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o memorando de entendimento com os Estados Unidos “nunca esteve tão próximo”, embora não tenha detalhado os termos em discussão.
“O Memorando de Entendimento de Islamabad nunca esteve tão próximo. […] De acordo com nossa abordagem responsável e transparente, todos os detalhes serão compartilhados com o público no momento apropriado”, publicou o chanceler iraniano no X.
Apesar das manifestações otimistas, ainda há dúvidas sobre o estágio das negociações. Nessa quinta-feira (11/6), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a ameaçar bombardear o Irã “com muita força”, mas recuou horas.
Segundo ele, os pontos finais das discussões para o encerramento do conflito, “tanto em conceito quanto em detalhes”, haviam sido aprovados por todas as partes envolvidas.
A versão, no entanto, foi contestada por veículos iranianos. Pouco depois das declarações de Trump, a agência Fars, ligada à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), informou que Teerã ainda não havia aprovado um texto de acordo com os Estados Unidos.
A divergência entre as declarações públicas evidencia que, embora haja sinais de progresso nas negociações, ainda existem questionamentos sobre a aprovação formal do documento e os próximos passos para a implementação do entendimento entre os dois países.



