Início Brasil EDUCAÇÃO QUE CONSCIENTIZA É SEMPRE A SAÍDA E PROFESSOR QUE ESPERANÇA NUNCA É ENTRAVE Fonte: SINPRO-DF
BrasilCeilândiaEDUCAÇÃOGeral

EDUCAÇÃO QUE CONSCIENTIZA É SEMPRE A SAÍDA E PROFESSOR QUE ESPERANÇA NUNCA É ENTRAVE Fonte: SINPRO-DF

Compartilhar
Compartilhar

Por Rosilene Corrêa*

Costumo dizer que se eu não fosse professora, seria professora. Quando criança, foi a educação que abriu caminho para que eu buscasse uma vida menos sofrida que aquela vivida em uma casinha de taipa e sapê em um sítio em Niquelândia, Goiás. Depois de crescida, já com o curso de Pedagogia concluído, a educação me mostrou que a escola é o espaço mais vivo e mais alegra que a gente pode ter. A escola vai muito além dos muros que a delimitam: ela gera o sentimento ativo e indescritível de buscar, inovar, lutar, querer. É o esperançar sempre.

Em tempos de retrocesso sociopolítico e econômico, é indispensável refletir sobre a educação que queremos e o professor ou a professora que devemos ser. Faremos coro a um modelo de educação que não abre espaço para a solidariedade, para a troca de ideias; que ensina a lidar com números, mas ignora as vidas e suas relações sociais? Ou cerraremos fileiras por uma educação que permite às pessoas a construção do pensamento crítico, da consciência social e de classe; que permite a construção de escolas que rompem com a reprodução da desigualdade e do preconceito?

Essa é uma decisão definitiva para superarmos ou perpetuarmos os alarmantes números que se apresentam quando falamos em desemprego, fome, miséria, concentração de renda, criminalidade. É consentir o retrocesso ou se indignar com ele. É se conformar com a barbárie ou lutar pela democracia.

Neste e nos próximos anos, nós, professoras e professores, estamos ainda no centro da recuperação da educação, que foi devastada pela pandemia da covid-19, com proporções ainda mais graves no Brasil devido à ausência de políticas públicas para o setor. E estar no centro dessa recuperação não significa ser individualmente responsável por ela, mas ser prioridade nas propostas e projetos dos governos federal, estadual, distrital e municipal.

Segundo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), “o êxito da recuperação da educação depende de maior investimento no bem-estar, na formação, no desenvolvimento profissional e nas condições de trabalho dos 71 milhões de docentes do mundo para recuperar as perdas de aprendizagem e gerir as transformações no ensino e na aprendizagem impostas pela pandemia da covid-19”.

Rosilene Corrêa, dirigente do Sinpro-DF
A orientação do organismo, que reúne ampla coalizão de organizações internacionais, sociedade civil e o setor privado, fica totalmente inviabilizada quando deparada com a realidade do Brasil. Aqui, no Ministério da Educação, temos um negacionaista que atua para uma educação excludente e, no Ministério da Economia, um banqueiro que tem negócios em paraísos fiscais e lucrou 15 bilhões com a mesma política econômica que impôs ao povo brasileiro a corrida por ossos para enganar a fome.

Além disso, também temos um presidente que facilita a compra de armas e pede taxação para livros; que subtraiu quase R$ 5 bilhões da Educação em apenas um ano; que diz que professores existem em “excesso” e isso “atrapalha”; que quer acabar com os serviços públicos, inclusive com a educação, com a reforma administrativa (PEC 32).

No Distrito Federal, o cenário não é tão divergente. Servidores do magistério público estão há mais de seis anos sem reajuste salarial. Como se não bastasse, o governador Ibaneis Rocha (MDB) ainda tenta todas as manobras para deixar de pagar a última parcela do reajuste salarial conquistado em 2012, devida desde setembro de 2015. Para além disso, como forma de precarizar os direitos dos docentes, o GDF infla a rede pública de ensino com contratação temporária e faz vista grossa à nomeação dos 373 professores e professoras que estão no banco do último concurso público, homologado em 2017.

Por isso, se cabe a nós, professores e professoras, refletir sobre a educação que queremos, a sociedade que almejamos e nosso papel nessa construção, cabe também refletir sobre o governo que pode proporcionar esse cenário. Que neste 15 de outubro, Dia dos Professores e das Professoras, possamos promover essa reflexão e que, acima de tudo, tenhamos sempre a certeza de que a educação que conscientiza é sempre a saída e que o professor que esperança nunca é entrave!

*Rosilene Corrêa é professora aposentada da rede pública de ensino do DF e dirigente do Sinpro-DF e da CNTE.

Fonte: SINPRO-DF

Compartilhar

Deixe um Comentário

Deixe uma resposta

Artigos Relacionados

Brasil registra a menor mortalidade infantil em 34 anos, diz Unicef

País avança na redução de mortes infantis, mas enfrenta desaceleração e impacto...

Bolsonaro segue na UTI com melhora clínica, mas sem alta prevista

Jair Bolsonaro (PL) apresentou melhora no quadro de saúde nas últimas 24...

Paes aplica primeira dose de Ozempic na rede pública do Rio

Prefeito realiza aplicação em paciente, destaca experiência pessoal e afirma que oferta...

Copom sinaliza espaço para corte maior dos juros, mas avanço dependerá do choque do petróleo

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa...