Ceilândia em Alerta — A percepção de segurança e o vínculo dos estudantes com a escola diminuem ao longo dos anos finais do ensino fundamental, enquanto a exposição à violência aumenta. Os dados são de um levantamento do Great Place to Study Brasil, que analisou a experiência de estudantes, educadores e familiares em instituições de ensino.
A pesquisa reuniu 89.744 participantes, entre eles 41.958 estudantes, 9.347 educadores e 38.439 familiares. O levantamento investiga aspectos relacionados ao bem-estar, à saúde emocional e ao ambiente escolar.
Segundo os resultados, o percentual de estudantes que afirmam sentir felicidade ou entusiasmo ao ir à escola cai de 79,9% no 4º ano para 50,8% no 7º ano. No mesmo período, a exposição à violência mais que dobra, passando de 16,6% para 39%.
Entre estudantes do 8º ano do ensino fundamental e do ensino médio, 57% relatam situações frequentes de bullying ou violência física tratada como algo normal no ambiente escolar.
Estudantes relatam falta de acolhimento
O levantamento também aponta dificuldades na relação entre alunos e instituições de ensino. Cerca de 40,6% dos estudantes afirmam não se sentir valorizados pela escola, enquanto 40,1% dizem que os professores não demonstram preocupação com seus sentimentos.
Entre os alunos que sofrem bullying, 44% não acreditam que a escola vá agir de maneira eficaz para resolver o problema.
A pesquisa também identificou diferenças na percepção dos estudantes conforme o nível de violência no ambiente escolar. Em locais com menor incidência, 27% dizem frequentar as aulas apenas por obrigação. Nas escolas com maior exposição à violência, o índice chega a 60%.
Educadores também enfrentam desgaste emocional
Os profissionais da educação aparecem entre os grupos afetados pelos problemas no ambiente escolar. Um em cada sete educadores relata sofrimento emocional intenso, enquanto 66,3% afirmam que gostariam de ter escolhido outra profissão.
Entre os fatores associados ao desgaste estão as cobranças excessivas e o questionamento da autoridade dos profissionais, apontados por 24,4% dos educadores como principal fonte de tensão emocional.
Famílias demonstram confiança nas escolas
Apesar dos desafios relatados por estudantes e educadores, a percepção das famílias é predominantemente positiva. Mais de 95% dos familiares participantes demonstram confiança na proposta pedagógica, consideram a escola um ambiente seguro e avaliam que os filhos recebem uma boa educação.
Além disso, 54,6% concordam plenamente que mantêm comunicação ativa com a instituição para participar do planejamento educacional dos estudantes.
Os resultados reforçam a importância de políticas de prevenção à violência, combate ao bullying e promoção da saúde mental nas escolas, especialmente durante a transição para os anos finais do ensino fundamental, período em que os indicadores de pertencimento e bem-estar apresentam queda.
Fonte: Jornal de Brasília



