Uma mudança simples durante as refeições pode trazer benefícios importantes para pessoas com diabetes tipo 2. Um estudo publicado na revista científica Acta Diabetologica, com participação de pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), concluiu que consumir os carboidratos por último pode reduzir significativamente os picos de glicose no sangue após as refeições.
A pesquisa reuniu dados de 17 ensaios clínicos randomizados envolvendo 389 adultos diagnosticados com diabetes tipo 2. Os resultados indicam que a estratégia, conhecida como “carbohydrate-last” (carboidrato por último), promove uma redução média de 42,7 mg/dL na glicemia uma hora após a refeição e de 13 mg/dL após duas horas, em comparação com pessoas que iniciaram a alimentação pelos carboidratos.
Como funciona a estratégia
A recomendação é iniciar a refeição com alimentos ricos em fibras, proteínas e gorduras saudáveis, como saladas, legumes, ovos, carnes, peixes e azeite de oliva. Somente depois devem ser consumidos alimentos ricos em carboidratos, como arroz, massas, pães e batatas.
Segundo os pesquisadores, essa sequência faz com que o esvaziamento do estômago aconteça de forma mais lenta, permitindo que a glicose seja absorvida gradualmente pelo organismo. Além disso, há maior liberação de hormônios intestinais, como o GLP-1, responsável por estimular a produção de insulina e melhorar o controle da glicemia.
Essa resposta mais equilibrada reduz os chamados picos glicêmicos, que estão associados ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, problemas renais e lesões no sistema nervoso provocadas pelo diabetes.
Estratégia simples e sem custo
Outro destaque do estudo é que a mudança não exige restrições alimentares nem contagem de calorias.
Em vez de eliminar alimentos da dieta, a proposta consiste apenas em reorganizar a sequência em que eles são consumidos, tornando a estratégia mais fácil de ser incorporada ao dia a dia de muitas pessoas.
Especialistas destacam que essa pode ser uma alternativa especialmente útil para pacientes que encontram dificuldades em reduzir significativamente o consumo de carboidratos.
Benefícios ainda precisam de mais estudos
Embora os resultados sejam considerados promissores, os pesquisadores ressaltam que a maioria dos estudos analisados teve curta duração e envolveu um número relativamente pequeno de participantes.
Também foi observada apenas uma pequena redução na hemoglobina glicada (HbA1c), exame que mede o controle da glicose ao longo de aproximadamente três meses. Segundo os autores, mudanças mais expressivas nesse indicador exigem acompanhamentos por períodos mais longos.
A maior parte dos participantes apresentava diabetes tipo 2 em estágio inicial e fazia tratamento com alimentação adequada ou uso de metformina. Por isso, ainda não é possível afirmar que os mesmos resultados ocorrerão em pacientes com doença mais avançada.
Orientação médica continua sendo fundamental
Os especialistas reforçam que a estratégia pode contribuir para o controle da glicemia, mas não substitui o tratamento indicado pelo médico.
A adoção de hábitos saudáveis, alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e o uso correto dos medicamentos continuam sendo os pilares do tratamento do diabetes tipo 2.
Novas pesquisas deverão avaliar os efeitos da estratégia em longo prazo e verificar se a mudança na ordem dos alimentos pode reduzir o risco de complicações da doença.
📰 Fonte: Ceilândia em Alerta | Jornal Taguacei
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