Nova estrutura seria comandada por nome apto a combater narrativas da direita sobre segurança pública e crime organizado
A discussão sobre mudanças na área de segurança pública voltou ao centro do debate interno do PT em meio ao desgaste provocado pela operação contra o Comando Vermelho que matou 121 pessoas no Rio de Janeiro. Segundo o g1, integrantes do partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva articulam a criação de uma nova estrutura federal voltada ao enfrentamento do crime organizado, diante do impacto do tema sobre o cenário eleitoral.
Os dirigentes petistas avaliam que a segurança pública se tornou um ponto de vulnerabilidade para o governo, especialmente após declarações de Lula sobre traficantes e críticas a uma megaoperação contra o Comando Vermelho. Pesquisas recentes da Quaest mostraram que a aprovação do governo parou de subir e que Lula voltou a empatar com Jair Bolsonaro em simulações de segundo turno, além de perder vantagem para outros possíveis adversários.
A proposta em discussão envolve recriar o Ministério da Segurança Pública, que existiu no governo Michel Temer, ou estabelecer uma secretaria específica dedicada ao combate ao crime organizado. Atualmente, a estrutura federal conta apenas com o Ministério da Justiça e Segurança Pública e com a Secretaria Nacional de Segurança Pública.
Busca por perfil combativo
Lideranças petistas defendem que a nova pasta ou secretaria seja comandada por um nome capaz de assumir uma postura mais firme nas redes e no debate público, especialmente diante da ofensiva da direita. O perfil mais citado é o de Ricardo Cappelli, ex-secretário-executivo do Ministério da Justiça durante a gestão de Flávio Dino e interventor na segurança do Distrito Federal após os ataques de 8 de janeiro.
Cappelli ganhou destaque por adotar posições enfáticas sobre o avanço do crime organizado. Na megaoperação realizada no Rio de Janeiro em 29 de outubro, ele afirmou que o país enfrentava “uma guerra contra um exército interno que tenta dominar partes do território nacional” e defendeu a retomada dessas áreas.
Essa postura combativa é vista dentro do PT como fundamental. Estratégia semelhante já foi adotada pelo governo ao escolher Guilherme Boulos para comandar a Secretaria-Geral da Presidência, com o objetivo de reforçar a interlocução com movimentos sociais e enfrentar disputas narrativas.
Embora Cappelli seja considerado um nome forte para a nova função, há resistências dentro do Ministério da Justiça, atribuídas ao fato de ele ter integrado a gestão anterior de Flávio Dino. Para evitar conflitos com o atual ministro, Ricardo Lewandowski, uma das alternativas avaliadas é criar uma estrutura fora do ministério. Outra possibilidade é indicar alguém com perfil semelhante ao de Cappelli, mas que não gere atritos internos.
Fonte: brasil247
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