Desgastado, Flávio Bolsonaro já é visto como um “falso evangélico”

Pesquisa mostra queda na desaprovação de Lula entre religiosos e expõe desgaste do senador do PL no segmento

247 – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, enfrenta desgaste entre eleitores evangélicos em meio à melhora dos indicadores do presidente Lula no segmento. Conforme destacou o Blog do Noblat neste domingo (14), o parlamentar da extrema direita está sendo visto como um “falso evangélico”.

O levantamento trouxe dados positivos para a pré-candidatura de Lula. Entre abril e junho, o presidente reduziu em oito pontos percentuais a desaprovação de seu governo entre eleitores evangélicos.

De acordo com a Quaest, 68% dos evangélicos desaprovavam o governo Lula em abril. Em junho, o índice recuou para 60%, o menor patamar desde janeiro, quando a série histórica começou e a rejeição ao presidente nesse grupo estava em 61%.

O resultado também alterou a diferença entre avaliações negativas e positivas. Em abril, a desaprovação de 68% e a aprovação de 28% deixavam uma distância de 30 pontos percentuais. Em junho, com 60% de desaprovação e 35% de aprovação, a diferença caiu para 25 pontos.

Desgaste e o caso Master

O senador da extrema direita vem sofrendo desgaste junto ao eleitorado por causa dos escândalos do Banco Master. Flávio Bolsonaro negociou diretamente com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro um financiamento de R$ 134 milhões para investir no filme Dark Horse, retrato biográfico de Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar atualmente, após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos de cadeia no inquérito da trama golpista. Do valor total, R$ 61 milhões foram repassados para o longa. 

Controlador do Master, Daniel Vorcaro negocia uma delação premiada. Ele está detido após ser alvo da Operação Compliance Zero. A Polícia Federal investiga um esquema de fraudes financeiras que, segundo investigadores da corporação, movimentou ao menos R$ 12 bilhões. 

PT divulga carta a evangélicos

Na segunda-feira (8), dias depois da Marcha para Jesus, o PT publicou uma carta direcionada aos evangélicos. No documento, o partido afirmou que seus governos sempre “tiveram uma postura de respeito e reconhecimento” com as igrejas evangélicas.

O texto foi elaborado durante o IV Encontro Nacional de Evangélicos do PT. A iniciativa integra o esforço do partido para reduzir resistências nesse segmento religioso, que tem peso crescente no eleitorado brasileiro.

O cenário amplia a pressão sobre Flávio Bolsonaro, que busca consolidar sua pré-candidatura presidencial. O desgaste citado por Noblat expõe o risco político do uso oportunista da religião em uma disputa nacional.

Perfil religioso do País

Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados em 6 de junho de 2025, mostram transformações relevantes no mapa religioso do Brasil entre 2010 e 2022.

No período, o percentual de católicos apostólicos romanos caiu para 56,7% da população de 10 anos ou mais. Ao mesmo tempo, os evangélicos chegaram a 26,9%, e o grupo sem religião passou a representar 9,3%.

Em 2010, os católicos somavam 65,1% da população nessa faixa etária. Os evangélicos eram 21,6%, enquanto as pessoas sem religião correspondiam a 7,9% dos declarantes.

Entre os católicos, a queda foi de 8,4 pontos percentuais em relação a 2010. A proporção de evangélicos cresceu 5,2 pontos percentuais, e o grupo sem religião avançou 1,4 ponto percentual.

A religião espírita registrou queda de 0,3 ponto percentual, passando de 2,2% em 2010 para 1,8% em 2022. Umbanda e candomblé avançaram de 0,3% para 1,0% no mesmo período, alta de 0,7 ponto percentual.

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