Investigação do caso Banco Master e ministros do STF envolve mensagens encontradas em aparelhos de Daniel Vorcaro e familiares. Supremo deverá avaliar possíveis desdobramentos após manifestação da PGR.
Ceilândia em Alerta – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, reuniu-se na terça-feira (13) com o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, para discutir o encaminhamento de informações sobre ministros da Corte mencionados nas investigações envolvendo o Banco Master.
Durante o encontro, que durou aproximadamente uma hora e meia, Fachin orientou a Polícia Federal a encaminhar ao Supremo todas as referências a magistrados identificadas no material investigado, sem excluir nomes ou informações.
A apuração do caso Banco Master e ministros do STF envolve mensagens e outros registros extraídos de aparelhos eletrônicos do empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco, e de pessoas ligadas a ele.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, pelo menos seis ministros do STF, ou familiares desses magistrados, aparecem em diferentes contextos no material analisado pelos investigadores.
As referências envolvem situações distintas, incluindo contatos pessoais, reuniões, contratos profissionais e relações comerciais.
A presença do nome de um ministro em mensagens não significa que ele esteja sendo investigado ou que tenha cometido alguma irregularidade.
O objetivo da reunião foi estabelecer como essas informações deverão ser encaminhadas e examinadas pelas instituições responsáveis.
Caso Banco Master e ministros do STF: investigação dependerá de decisão do plenário
De acordo com a orientação apresentada por Fachin, a Polícia Federal deverá elaborar relatórios descritivos, reunindo as menções encontradas e o contexto em que aparecem.
Esses documentos não representarão automaticamente a abertura de investigações contra os magistrados.
Após o recebimento do material, a Procuradoria-Geral da República (PGR) deverá se manifestar sobre a necessidade de eventuais providências.
Somente depois dessa avaliação o plenário do STF poderá deliberar sobre a realização de atos investigativos envolvendo integrantes da Corte.
A orientação busca estabelecer um procedimento institucional para analisar as informações sem antecipar conclusões sobre possíveis responsabilidades.
A reunião ocorreu após questionamentos internos sobre a necessidade de examinar todas as referências encontradas no material apreendido, independentemente dos ministros mencionados.
Entre os magistrados cujos nomes apareceram em informações divulgadas anteriormente estão Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques, Luiz Fux e André Mendonça.
O ministro Gilmar Mendes também solicitou, por meio de ofício encaminhado à presidência do Supremo, que fossem identificadas todas as pessoas mencionadas nos registros.
As situações envolvendo cada magistrado são diferentes e precisam ser analisadas individualmente.
Mensagens de Daniel Vorcaro ampliaram questionamentos sobre o caso
A discussão sobre as referências a ministros ganhou força após a divulgação de parte do material da investigação.
Em setembro, o ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master, retirou o sigilo de documentos que continham mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro.
Entre os registros divulgados estavam comunicações enviadas a um número de telefone atribuído ao ministro Alexandre de Moraes, pouco antes da prisão de Vorcaro, em novembro de 2025.
Posteriormente, outras mensagens revelaram referências a integrantes do Supremo feitas por pessoas que mantinham relações com o ex-banqueiro.
Em fevereiro de 2026, a Polícia Federal já havia apresentado um levantamento de aproximadamente 200 páginas com informações relacionadas ao ministro Dias Toffoli.
O material mencionava encontros com Vorcaro e conversas envolvendo uma empresa familiar do magistrado e o resort Tayayá, localizado no Paraná.
Naquele período, Toffoli deixou a relatoria dos processos relacionados ao Banco Master, e André Mendonça passou a conduzir o caso.
As informações divulgadas não equivalem a conclusões sobre a prática de crimes pelos magistrados.
A avaliação de eventuais irregularidades dependerá de provas, procedimentos legais e decisões das autoridades competentes.
Outros processos também foram discutidos
Durante a reunião com a Polícia Federal, Fachin também tratou de pedidos pendentes relacionados às investigações do Banco Master e às apurações sobre descontos ilegais em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O presidente do STF informou que aguarda manifestação da Procuradoria-Geral da República antes de decidir sobre determinadas medidas urgentes solicitadas pelos investigadores.
Entre os pedidos pendentes estão solicitações de liberdade apresentadas por investigados ligados ao caso Master.
Também foi discutido o andamento do chamado inquérito das fake news, aberto em 2019.
Fachin solicitou maior rapidez na análise de diligências pendentes, diante da possibilidade de encerramento do procedimento.
A reunião entre o presidente do STF e a direção da Polícia Federal estabelece, portanto, uma nova etapa na organização das informações relacionadas ao Banco Master.
O próximo passo será a apresentação dos relatórios pela PF, seguida da análise da PGR e de eventuais deliberações do plenário.
O esclarecimento das referências a magistrados deverá ocorrer com respeito às garantias legais e à necessidade de apuração de possíveis irregularidades, sem antecipar responsabilidades individuais.
🔍 Fontes: Brasil de Fato | Agência Brasil | CNN Brasil



