Ceilândia em Alerta — Reeleito deputado distrital com cerca de 42 mil votos, Gabriel Magno (PT) afirmou que acredita na possibilidade de mudanças no resultado do segundo turno das Eleições 2026, tanto no Distrito Federal quanto na disputa presidencial. Em entrevista ao programa CB.Poder, do Correio Braziliense em parceria com a TV Brasília, na terça-feira (13), o parlamentar destacou a mobilização dos eleitores e afirmou que a definição das prioridades de seu segundo mandato ficará para depois da votação de 25 de outubro. O deputado também comentou a disputa eleitoral no Distrito Federal, criticou a gestão local e cobrou esclarecimentos sobre a crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.
Magno afirmou que, desde o primeiro turno, sua prioridade tem sido a campanha para a segunda etapa das eleições. Para ele, o resultado de outubro será decisivo para os rumos políticos do país e do Distrito Federal.
O parlamentar também comemorou o crescimento de sua votação. Segundo ele, o número de votos passou de aproximadamente 18 mil na eleição anterior para 42 mil em 2026.
O deputado atribuiu o resultado ao reconhecimento do trabalho realizado na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), destacando a postura de oposição e a defesa de suas posições políticas.
“Fizemos um mandato coerente e que não mudou de lado”, afirmou, ao dizer que não abriu mão de posicionamentos em troca de cargos no governo, liberações ou emendas parlamentares.
Crise do BRB entra no debate eleitoral
Na entrevista, Gabriel Magno afirmou que as disputas nacional e distrital estão conectadas e defendeu que a crise envolvendo o Banco Master e o BRB seja discutida durante a campanha.
O deputado contestou a versão de que o banco público teria sido enganado e fez críticas à condução do caso pelo governo do Distrito Federal. Ele também mencionou investigações da Polícia Federal e apontou a necessidade de esclarecer as responsabilidades relacionadas às operações financeiras.
As declarações fazem parte do debate sobre a situação do Banco de Brasília, instituição financeira pública do DF, e os possíveis impactos da crise nas contas e nos serviços oferecidos à população.
Magno relacionou os problemas envolvendo as instituições financeiras às dificuldades enfrentadas pela saúde pública e pela educação no Distrito Federal. As afirmações foram feitas pelo parlamentar durante a entrevista.
Deputado critica proposta de empréstimo de R$ 6,5 bilhões
Ao falar sobre o futuro do BRB na Câmara Legislativa, Gabriel Magno afirmou ter apresentado uma proposta para revogar o projeto que prevê um empréstimo de R$ 6,5 bilhões, associado à solução defendida pelo governo local para enfrentar a crise do banco.
Na avaliação do deputado, a medida não seria suficiente para resolver os problemas financeiros da instituição e poderia comprometer a capacidade de investimento do Distrito Federal por vários anos.
Magno declarou que, segundo informações relacionadas às investigações da Polícia Federal, o rombo financeiro seria superior a R$ 20 bilhões. O parlamentar também criticou os possíveis efeitos do empréstimo sobre reajustes salariais, concursos públicos e investimentos sociais.
Ele argumentou que a população não deveria arcar com consequências financeiras de eventuais irregularidades cometidas por gestores ou responsáveis pelas operações investigadas.
O tema deve continuar presente no debate político local, especialmente diante das discussões sobre a gestão dos recursos públicos e a capacidade do governo de manter investimentos em áreas essenciais.
Redes sociais e influência nas eleições
Gabriel Magno também demonstrou preocupação com o poder das grandes empresas de tecnologia sobre a circulação de informações e o alcance de conteúdos políticos nas redes sociais.
Para o deputado, é necessário aprofundar o debate sobre democratização, transparência e acesso às plataformas digitais. Ele afirmou que a concentração de poder nas mãos de poucas empresas pode interferir na forma como os eleitores recebem informações durante as campanhas.
Na entrevista, Magno mencionou problemas relacionados ao algoritmo e à distribuição de vídeos políticos e defendeu que a influência das plataformas sobre os processos eleitorais seja discutida publicamente.
O parlamentar questionou a capacidade de empresas privadas de determinar quais conteúdos alcançam maior visibilidade, argumentando que essa concentração pode afetar o debate democrático.
A discussão envolve temas como redes sociais e política, transparência das plataformas digitais e influência sobre a opinião pública.
Gabriel Magno reconhece avanço da extrema-direita
Questionado sobre a perda de espaço dos partidos de esquerda nos últimos anos, o deputado reconheceu o crescimento da extrema-direita em diferentes países e afirmou que a esquerda também precisa avaliar suas próprias dificuldades.
Magno disse defender os governos do PT e destacou transformações realizadas durante essas administrações, mas reconheceu que nem todas as demandas da população foram atendidas.
Na avaliação do parlamentar, a esquerda precisa ampliar o diálogo com os problemas cotidianos dos brasileiros e fortalecer sua conexão com os movimentos sociais.
Ele também ressaltou que, apesar do avanço da extrema-direita, o PT registrou crescimento eleitoral.
Apostas e pressão popular
Ao comentar as medidas do governo federal relacionadas às plataformas de apostas on-line, conhecidas como bets, Gabriel Magno afirmou que os períodos eleitorais podem abrir espaço para o avanço de reivindicações dos movimentos sociais.
Segundo ele, governos de diferentes orientações políticas ficam mais suscetíveis à pressão popular durante as eleições, o que considera parte do funcionamento democrático.
O deputado defendeu que a esquerda encontre caminhos para se reconectar com as demandas do cotidiano da população e transformar essas reivindicações em propostas políticas.
Com a proximidade do segundo turno, Gabriel Magno afirmou que a prioridade continua sendo a campanha eleitoral. A definição das principais pautas de seu segundo mandato na CLDF, segundo ele, deverá ocorrer após a votação de 25 de outubro.
Fonte: Correio Braziliense



