A geração de intelectuais negros que as políticas afirmativas ajudaram a formar

Eles ingressaram no ensino superior graças às cotas, ao Prouni e ao FIES; e agora apresentam rica produção acadêmica e cultural
A escritora Ana Paula Lisboa (uma das autoras da coletânea “Olhos de azeviche”) é um dos expoentes desse grupo que nasce das políticas afirmativas, como as cotas, o Prouni e o Fies. Ela é uma das participantes da mesa “Primeira pessoa”, na Flup. Cursando graduação em Letras em uma faculdade particular, onde ingressou via Prouni, ela foi a primeira de sua família a entrar em uma universidade. Ela se inscreveu no processo seletivo sem contar aos pais, a quem só avisou quando tinha o resultado em mãos.

— Eles achavam que eu ia terminar o ensino médio e acabou. Quando falei que tinha ganhado bolsa para a universidade, ficaram muito felizes.

Ela lembra que, quando morava no Engenho Novo, zona norte do Rio de Janeiro, e contou para sua avó que queria ser escritora, ouviu que não poderia “deixar a vida levar” e que seria necessário arrumar um emprego fixo. Foi isso que a levou ao jornalismo. Hoje, ela conta feliz que 70% de seu orçamento vem do trabalho como escritora.

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