A entrevista concedida ontem pelo presidente Lula aos veículos que representam a unidade democrática e progressista – Brasil 247, Revista Fórum e DCM, que estiveram juntos na resistência contra o golpe de estado de 2016 e o lawfare representado pela Lava Jato – não foi apenas mais uma entrevista entre tantas outras. Foi o ponto de virada nesta corrida eleitoral, que marca a arrancada para o “tetra” de Lula. Um momento de definição histórica que recoloca o Brasil no trilho da esperança de continuidade de um projeto de reconstrução econômica e normalidade institucional. Se havia alguma dúvida sobre sua disposição de disputar o quarto mandato, alimentada por entrevistas anteriores e pressões do mercado financeiro, ela foi completamente dissipada.
Na conversa comigo, que representei o Brasil 247, Renato Rovai, da Revista Fórum, e Kiko Nogueira, do DCM, o presidente Lula não apenas confirmou sua candidatura. Ele a afirmou com convicção, com clareza estratégica e com um senso de missão que transcende a política convencional, quando eu o comparei a Pelé, que decidiu parar no auge e não foi em busca do tetra. Lula falou de um “compromisso moral, ético e até cristão” de impedir o retorno do obscurantismo ao poder, colocando sua candidatura não como um projeto pessoal ou de apego ao poder, aos 80 anos de idade, mas quase como um sacrifício em nome do seu compromisso com o povo brasileiro. E deixou claro: sua decisão não é pessoal, mas sim a consequência de seu papel histórico.
O que mais impressionou, no entanto, foi a forma. Lula demonstrou total entusiasmo, vigor físico e intelectual, além de carisma em estado puro. Havia nele mais do que a simples retórica: uma energia quase palpável, com uma presença que ilumina o ambiente. Lula emanava uma luz extraordinária – a mesma que o conectou, ao longo de décadas, com o povo brasileiro.
Para mim, ficou claro que o Brasil não está diante de um líder que se aproxima do fim de seu ciclo político. Ao contrário. O Brasil dispõe de um estadista renovado, com clareza sobre os desafios do presente e determinação para conduzir o Brasil a um novo salto histórico. “Tenho muita coisa para fazer neste país e o quarto mandato será melhor do que o terceiro”, disse Lula, que também afirmou sonhar com um Brasil potente, entre as quatro ou cinco maiores economias do mundo.
No mesmo dia, a realidade política tratou de confirmar essa ponto de virada para o tetra. A pesquisa CNT/MDA, a que mais perto dos resultados chegou em 2022, recolocou o quadro eleitoral no seu devido lugar. Lula aparece com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 30% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, mantém a vantagem: 44% a 40%. Os números indicam uma trajetória consistente rumo à vitória, ao contrário de outras pesquisas que poderiam alimentar a pressão por uma eventual desistência.
Não se trata apenas de estatística eleitoral. Trata-se de uma leitura mais profunda do momento histórico. O Brasil começa a compreender que o projeto em curso não pode ser interrompido. Que há um caminho sendo reconstruído – de inclusão social, soberania nacional e desenvolvimento – que precisa de continuidade. E que os ganhos do terceiro mandato, que não foram poucos, não podem ser subestimados.
A entrevista de ontem também apontou os ajustes necessários para a vitória. Lula sinalizou mudanças importantes na condução econômica, com foco na redução do endividamento das famílias, no aumento da renda disponível e na regulação de setores que hoje pesam sobre o orçamento popular. Há uma visão mais refinada, mais conectada com os desafios concretos da sociedade brasileira.
Ao mesmo tempo, reafirmou compromissos essenciais: estabilidade macroeconômica, responsabilidade fiscal, inclusive mandando recados importantes para a Faria Lima, e inserção soberana do Brasil no mundo. Além disso, deixou claro que o programa de governo do quarto mandato apontará caminhos para um salto de qualidade no desenvolvimento brasileiro. É essa combinação – de estabilidade e transformação – que define o novo projeto lulista.
Mas talvez o elemento mais decisivo tenha sido o simbólico. Lula falou com o coração, mas também com muita energia. Criticou o mercado quando necessário, denunciou manipulações midiáticas e reafirmou sua trajetória de resistência — inclusive ao lawfare da Lava Jato, que tentou destruí-lo politicamente.
Depois da entrevista de ontem, o tetra deixou de ser uma hipótese. Passou a ser um projeto em marcha. O leão da montanha voltou. E nós saímos de Brasília reenergizados.
Com informações do Brasil247
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