Os novos desdobramentos do caso Master, com revelações do vínculo de Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro, e a prisão do pai do banqueiro, impactam a pré-campanha à presidência, tendo diversos aliados desembarcando da candidatura. Ao mesmo tempo, existem o comportamento da mídia e outras correlações de forças políticas que fazem com que previsões possam ser possíveis, mas ainda poucas certezas no horizonte.
Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, Paulo Niccoli Ramirez, cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), afirmou que já é possível prever uma disputa entre os quadros da direita e extrema direita.
“Isso abre caminho para que outros candidatos, especialmente [Romeu] Zema e [Ronaldo] Caiado, passem a competir com Flávio e o resultado disso é uma fragmentação, uma confusão no discurso da direita. Em algum momento o tiro amigo vai começar. Claro que eles querem chegar no segundo turno e eles vão acabar atacando o candidato favorito. [As revelações do Intercept Brasil] Acabaram despertando os ânimos do Zema e do Caiado. Há uma esperança de que a candidatura de Flávio Bolsonaro se enfraqueça bastante, apoios de partidos que não queiram se comprometer com o Banco Master e nem com nenhum caso de corrupção, esses partidos começam a pular fora do navio bolsonarista”, avalia.
No entanto, Ramirez pondera que há uma parcela do eleitorado que, independentemente do que aconteça, vota na família Bolsonaro. “O Flavio Bolsonaro vai continuar com 20%, 25%, que é aquele eleitorado que gosta de tomar detergente, porque apoia qualquer coisa que a família Bolsonaro fizer”, afirma.
“Isso traz alguma vantagem para Lula porque a imagem de Flávio evapora principalmente diante do eleitorado moderado que busca uma figura que não esteja envolvida em escândalos de corrupção, de conflitos entre interesses públicos e privados.”
Paulo Niccoli Ramirez destaca que as últimas pesquisas indicam que a popularidade de Lula subiu. “Isso por conta da sua visita aos EUA que foi positiva; foi uma conversa de igual para igual. Vale dizer que a popularidade de Lula subiu, porque fica cada vez mais claro que há um conluio no Congresso interessado em prejudicar Lula. Lula tem um duplo benefício para as próximas pesquisas”, considera.
Ramirez também acredita que é preciso observar o impacto do escândalo Master nas eleições legislativas. “A opinião pública pressiona o Congresso a abrir uma CPI do Banco Master. Boa parte daqueles senadores que comemoraram a não indicação de Jorge Messias vai ter que se explicar para os seus eleitores. Isso vale para Flávio Bolsonaro, que não havia sido citado na CPI do INSS, mas a gente não pode esquecer que ele foi um dos que aplaudiram e incentivaram que houvesse a quebra de sigilo do filho do presidente Lula. O eleitor começa a ter em mente que não pode haver dois pesos e duas medidas”, afirma.
Ele também considera que Lula agiu corretamente ao não se estender publicamente em comentar o assunto. “Está correto Lula se manter longe disso, dizer que é um caso de polícia, porque o maior beneficiado por esse vazamento é o presidente Lula.”
Já Paulo Roberto de Souza, cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), destaca o papel da mídia nesse processo todo. “Existe um contexto de crise de confiança que, claro, afeta a mídia de referência, mas principalmente por causa das fake news, já dessa última década que estamos convivendo com elas de forma muito acintosa. O tempo inteiro isso está sendo proliferado por redes sociais, por WhatsApp Há um reequilíbrio nessa disputa de relevância e confiabilidade entre os tios e tias do zap e a mídia de referência”, avalia.
“Mas ela [a comunicação] tem hoje uma característica das redes, que é uma resposta muito rápida de contrainformação, de tentativa de deslegitimação, de reenquadramento sobre determinado tema. E, obviamente, que isso já está ocorrendo no caso do Flávio Bolsonaro. Porém, há ainda técnicas e algum tipo de legitimidade da mídia para contar essa história de forma mais cuidadosa”, defende.
*Com informações do Brasil de Fato
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