PL ignora presos do 8 de janeiro e só busca anistia para Bolsonaro, diz líder do PSB

Pedro Campos critica postura seletiva do PL e aponta que interesse em anistia cresce apenas quando envolve o ex-presidente

A pressão do PL pela votação do projeto de anistia só ganhou força quando cresceu o risco de condenação para o ex-presidente Jair Bolsonaro, afirmou o líder do PSB na Câmara, Pedro Campos (PE). Segundo ele, o interesse na anistia não se repete quando o tema se restringe aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro às sedes dos três Poderes, informa a coluna Painelda Folha de S.Paulo.

O caso voltou a ganhar destaque após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenar Bolsonaro, no último dia 11, a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. A decisão reacendeu debates no Congresso e movimentações políticas em torno da anistia, que têm contado inclusive com o envolvimento do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Críticas à postura do PL e de Bolsonaro

Pedro Campos ressaltou que a pauta da anistia se intensifica sempre que Bolsonaro está em risco.  “Quem impulsiona anistia para Bolsonaro são sempre aqueles que estão mais preocupados com ele do que com a anistia de 8 de Janeiro”, disse. Para o deputado, os aliados do PL demonstram maior empenho quando o ex-presidente é alvo, enquanto ignoram os demais condenados.

Ele lembrou ainda que, logo após os ataques de 8 de janeiro, Bolsonaro chegou a classificar os manifestantes como “baderneiros e malucos”. Só depois, segundo Campos, o ex-presidente teria retomado a defesa da anistia.  “Aquelas pessoas sempre foram usadas por ele. Foram abandonadas por ele desde o dia que ele pegou um avião e foi para os Estados Unidos e continuam abandonadas por ele. Se elas forem esperar por Bolsonaro para serem soltas, não vão ser soltas nunca”, afirmou.

Tarcísio de Freitas e a disputa eleitoral

Outro ponto destacado pelo líder do PSB é a entrada de Tarcísio de Freitas na articulação em defesa da anistia, interpretada como estratégia eleitoral. O governador teria como objetivo aproximar-se do eleitorado mais radical ligado a Bolsonaro e a seu filho, Eduardo Bolsonaro, que hoje exerce maior influência entre essa base. “O fato é que Tarcísio virou o candidato do centrão e da elite econômica do país antes de virar o candidato de Bolsonaro. E agora ele está tendo que correr atrás de quem tem mais voto, que é Bolsonaro”, avaliou Campos.

As falas recentes do governador contra o STF e o pedido de anistia em ato bolsonarista no último 7 de setembro, em São Paulo, são vistas pelo parlamentar como parte dessa tentativa de conquistar apoio. Mas, segundo Campos, o movimento pode afastar setores de centro e da elite econômica. “Soa como um cálculo político que não transparece muito a verdade. E ele vai ter muita dificuldade de conseguir convencer as pessoas disso enquanto houver nomes influentes do bolsonarismo desgastando ele”, concluiu o líder do PSB.

Fonte: brasil247

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