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“A fome é uma escolha política”, diz Lula

Em um artigo publicado em veículos de 12 países, o presidente Lula alerta para a relação entre fome, desigualdade e crise climática

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu que a fome não é fruto do acaso, mas sim consequência de escolhas políticas e econômicas. Em artigo publicado em veículos internacionais como Infobae (Argentina), Al Jazeera (Qatar), El País (Espanha), La Repubblica (Itália), The Independent (Reino Unido), entre outros, o mandatário brasileiro afirmou que a desigualdade global e a crise climática estão diretamente ligadas à perpetuação da insegurança alimentar.

Segundo Lula, “a fome não é uma condição natural da humanidade, nem é uma tragédia inevitável: ela é fruto de escolhas de governos e de sistemas econômicos que optaram por fechar os olhos para as desigualdades”. O texto critica o contraste entre a concentração de riqueza de 3 mil bilionários — que detêm 14,6% do PIB global — e os 673 milhões de pessoas sem acesso adequado à alimentação.

Crítica aos gastos militares e à inércia internacional

O presidente destacou que, em 2024, o mundo registrou o maior aumento em despesas militares desde o fim da Guerra Fria, atingindo US$ 2,7 trilhões. Enquanto isso, as nações mais ricas não cumpriram a meta de investir 0,7% de seus PIBs em políticas de desenvolvimento nos países pobres. Para Lula, trata-se de uma contradição que mantém viva a fome no planeta.

Ele também defendeu reformas no sistema de governança global, afirmando que os mecanismos multilaterais criados após a Segunda Guerra Mundial já não são capazes de responder aos desafios atuais, agravados pelas mudanças climáticas.

Brasil no G20 e avanços internos

Lula ressaltou como marco histórico a inclusão da taxação dos super-ricos na declaração final da cúpula do G20, realizada em novembro de 2024, sob presidência brasileira. No plano doméstico, afirmou que o Congresso está prestes a aprovar uma regra que estabelece tributação mínima sobre as maiores rendas, ao mesmo tempo em que isenta milhões de brasileiros de baixa renda.

O presidente também destacou a criação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que já reúne 200 membros, incluindo 103 países e 97 organizações. Segundo ele, o objetivo é não apenas trocar experiências, mas mobilizar recursos e pressionar governos por compromissos concretos.

Políticas sociais e impacto no Brasil

De acordo com dados oficiais citados por Lula, desde o início de 2023, 26,5 milhões de brasileiros deixaram a condição de fome, e o país saiu novamente do Mapa da Fome da FAO. Entre as medidas adotadas estão a ampliação do programa de transferência de renda, que hoje alcança 20 milhões de famílias; o reforço da alimentação escolar, que beneficia 40 milhões de estudantes; a compra pública de alimentos de pequenos agricultores; e o aumento do fornecimento gratuito de gás e eletricidade para famílias de baixa renda.

“As políticas só se sustentam em um ambiente econômico favorável. Quando há emprego e quando há renda, a fome perde sua força”, afirmou o presidente, lembrando que o Brasil alcançou os menores índices históricos de desemprego e desigualdade de renda per capita.

Desafio climático e COP30

Lula ainda relacionou a luta contra a fome ao combate à crise climática. O Brasil, que sediará a COP30 em Belém no próximo mês, pretende aprovar uma Declaração sobre Fome, Pobreza e Clima, ressaltando os impactos desiguais do aquecimento global sobre populações vulneráveis.

Em sua viagem a Roma nesta semana, o presidente levou a mesma mensagem ao Fórum Mundial da Alimentação e ao Conselho de Campeões da Aliança Global contra a Fome. “A humanidade, que criou o veneno da fome contra ela mesma, também é capaz de produzir o seu antídoto”, concluiu.

Com informações do brasil247

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