Gleisi diz que governo vai debater com Motta a substituição de demitidos do Centrão

A ministra afirma que novas nomeações podem começar já na próxima semana após demissões após derrota na MP 1303

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que o governo já iniciou as conversas para substituir indicados do Centrão que perderam cargos nos últimos dias. A movimentação busca fortalecer a base de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso. As declarações foram dadas nesta terça-feira (14), em entrevista repercutida pelo g1.

Gleisi destacou que a decisão sobre os novos nomes será tomada em conjunto com o presidente da Câmara, Hugo Motta, e lideranças partidárias. A ministra explicou que a estratégia do Planalto é abrir espaço para deputados “que estejam junto com o governo”, privilegiando parlamentares mais leais. “Não há pressa”, afirmou Gleisi, mas admitiu que parte das nomeações pode ser anunciada já na próxima semana.

Reunião com Arthur Lira e articulação no Congresso

Na mesma data, a ministra também se reuniu com o ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Gleisi negou que ele tenha representado o Centrão e ressaltou que Lira “contribuiu bastante para o governo”, principalmente durante a votação do projeto que ampliou a isenção do Imposto de Renda.

Apesar de ter indicado Carlos Vieira para a presidência da Caixa Econômica Federal — cargo que não será afetado pelas mudanças —, Lira se ausentou na votação da medida provisória que substituía o aumento do IOF, evitando um posicionamento explícito contra ou a favor do governo.

O Palácio do Planalto agora concentra esforços em assegurar apoio à votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), considerada essencial para a gestão. A análise, prevista para esta terça-feira na Comissão Mista de Orçamento, foi adiada a pedido do Executivo, que ainda busca alternativas para compensar os R$ 35 bilhões que deixaram de entrar nos cofres públicos após a derrota da medida provisória.

Base aliada e cenário de 2026

Nos bastidores, parlamentares governistas admitem que a recomposição da base também está ligada às eleições de 2026. O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), disse à Globonews que o Congresso “já ligou o modo 2026” e defendeu que o Planalto concentre sua agenda em pautas prioritárias até o fim do ano.

Guimarães reforçou que o diálogo será conduzido com Hugo Motta e líderes partidários. Já o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), considerou o movimento de exonerações um acerto: “A saída de indicações de deputados que não votam com o governo abre espaço para beneficiar quem está com o governo”.

Lindbergh reconheceu, no entanto, que o Executivo precisará do apoio da Câmara para aprovar temas centrais, como a LDO e o Orçamento. Enquanto isso, deputados que perderam espaço criticaram a postura do governo. “Acho que é um erro gigante. O governo pode ser inviabilizado sem apoio da maioria da Câmara”, declarou um deles. Apesar do descontentamento, alguns parlamentares ainda defendem que “o diálogo precisa ser reaberto”.

Com informações do brasil247

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