Presidente tem 49% contra 43% do senador da extrema direita; 52% disseram que não votariam em Flávio de jeito nenhum.
Nova pesquisa divulgada nesta segunda-feira (15) aponta para um avanço na preferência do eleitorado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que passa a liderar fora da margem no segundo turno e tem voto mais consolidado. Ao mesmo tempo, mostra aumento considerável na rejeição ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Esses e outros aspectos do atual cenário da disputa eleitoral fazem parte de pesquisa BTG Pactual/Nexus, feita entre os dias 12 e 14 de junho com 2.017 pessoas; o nível de confiança é de 95%.
O período medido já reflete a percepção popular tanto sobre a revelação das relações entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, como a respeito das novas sanções econômicas lançadas pelo governo de Donald Trump contra o Brasil e a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas.
Esse conjunto de medidas foi anunciado após visita do senador ao presidente estadunidense e tem sido visto como ato de traição à soberania brasileira, ponto também percebido pela população.
Segundo turno
No caso do voto estimulado em segundo turno, no cenário mais provável, Lula tem 49% contra 43% de Flávio. Em maio, os percentuais eram de, respectivamente, 47% a 43%.
Quando testado Lula x Romeu Zema (Novo), a vantagem do presidente é ainda maior: 49% a 39%. Já no caso de Lula e Ronaldo Caiado (PSD), a vantagem é ligeiramente menor para Lula, que marca 48% ante 39%.
“Na disputa de 2º turno contra Flávio Bolsonaro, o presidente passa a liderar fora da margem de erro pela primeira vez. Há três semanas, tinha vantagem de 4 pp, e agora aparece 6 pp à frente. Essa melhora de Lula está mais associada ao aumento da aprovação do seu governo, que pela primeira vez tem saldo positivo”, disse Marcelo Tokarski, CEO da Nexus.
De acordo com o levantamento, 48% aprovam o governo, contra 47% que desaprovam — há um mês, esses percentuais estavam invertidos (47% a 48%).
Na medição quanto ao potencial de voto e rejeição, 52% disseram que não votariam em Flávio de jeito nenhum, contra 47% no caso de Lula. O presidente também teve 38% de respostas de que ele seria o único em quem votariam, contra 25% no caso de Flávio.
Quando perguntados, de maneira estimulada, sobre quem deveria ser eleito presidente, Lula obteve 40% (eram 39% em maio). Flávio — ou “algum outro candidato indicado por Jair Bolsonaro (ou outro membro de sua família)” — ficou com 31% (eram 34% há um mês). Já os que responderam “um candidato que não fosse apoiado nem por Lula nem por Jair Bolsonaro”, teve 24% (antes, eram 18%).
A pesquisa ainda perguntou a motivação de voto em segundo turno nos dois principais candidatos. Dos que responderam preferir o presidente, 79% disseram que ele é o melhor candidato (há um mês, eram 80%) e 16% responderam votar nele apenas para “derrotar Flávio Bolsonaro” — este percentual era de 14% em maio; outros 5% disseram não saber ou não responderam.
No caso de quem prefere Flávio, 61% acreditam que ele é “o melhor candidato”— queda de quatro pontos frente à aferição de maio, quando ele marcou 65%. Outros 31% disseram que a escolha é apenas para “derrotar Lula” (contra 32% há um mês); 8% não souberam/quiseram responder.
Com relação à divisão política do país, a pesquisa aferiu que 26% se identificam como lulistas convictos e 26% como bolsonaristas convictos; outros 21% se dizem “não polarizados”. Aqueles que consideram Lula e Bolsonaro como alternativas são, respectivamente, 6% e 7%, enquanto que os que se dizem anti-Lula e anti-Bolsonaro somam 8%.
Medidas dos EUA contra o Brasil
O levantamento também quis saber o grau de conhecimento das pessoas sobre a classificação das facções e o novo tarifaço. Ao todo, 86% sabiam, em menor ou maior grau, sobre a primeira questão e apenas 13% disseram não saber do que se trata. Com relação às tarifas, 73% responderam saber, em diferentes níveis, contra 26% que apontaram o contrário.
A maioria dos entrevistados rechaçaram a nova classificação do PCC e do CV pelos EUA: 37% acreditam que “vai ameaçar a segurança dos brasileiros – já que vai ser utilizada como uma desculpa/justificativa para os Estados Unidos interferirem e sancionarem o governo brasileiro e o povo brasileiro, ameaçando a soberania nacional”.
Outros 23% acham que “não vai interferir na segurança dos brasileiros – já que a medida não vai implicar qualquer intervenção dos Estados Unidos no Brasil, é apenas uma burocracia e encenação política”.
Para outros 30%, “vai melhorar a segurança dos brasileiros – já que o governo dos Estados Unidos vai agir somente para combater as facções do crime organizado brasileiro, sem interferir ou sancionar o Governo brasileiro e o povo brasileiro, preservando a soberania nacional”.
Questionados sobre a culpa do novo tarifaço dos EUA, 42% disseram ser mais de Flávio, pela proximidade com Trump; outros 39% atribuíram a Lula, por supostamente faltar “bom relacionamento” entre os dois governos; enquanto isso, 11% acham que nenhum tem culpa porque os EUA estariam aplicando as tarifas por interesses próprios.
Primeiro turno
De acordo com o levantamento, na aferição espontânea para primeiro turno, Lula tem 36% da preferência, ante 27% de Flávio. No segundo pelotão de pré-candidatos, aparecem bem distantes Renan Santos (Missão), com 3%, seguido de Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) cada um com 1%. Os que não sabem ou não quiseram responder somaram o terceiro maior índice: 24%.
No caso estimulado, foram testados dois cenários. No primeiro, Lula tem 42% contra 33% de Flávio — em maio, eles tinham respectivamente 40% e 35%. Em seguida aparecem Caiado e Renan Santos, com 4% cada. Zema, Joaquim Barbosa (DC) e Augusto Cury (Avante) têm 2% cada e Aécio Neves (PSDB) e Cabo Daciolo (Mobiliza), 1% cada.
O segundo cenário de primeiro turno estimulado aponta para desempenho melhor tanto para Lula quanto para Flávio: 43% a 34% — há um mês, os percentuais eram de 41% a 35%.
Considerando o voto estimulado em primeiro turno do cenário 1, a pesquisa apontou que entre os eleitores de Lula, 81% disseram que não vão mudar seu voto, contra 18% que podem mudar. Já Flávio tem um voto menos consolidado, 77% a 21%.
Segurança como principal problema
Quando questionados sobre os principais problemas do país, 17% consideram que em primeiro lugar está a segurança pública; 16% a colocam como segundo, totalizando 33%. Já a saúde pública tem 10% como primeiro problema e 15% como segundo, fechando em 25%.
Em terceiro, aparece a corrupção — 16% julgam que este é o primeiro dos problemas e 7%, o segundo, totalizando 23%. A educação, em quarto, tem 5% dos que consideram como principal problema e 10% como segundo, com 15% no total.
No caso da situação econômica, apesar dos avanços concretos obtidos nos últimos anos, 49% dizem que está ruim/péssima, contra 31% que avaliam como regular e 19% como ótima/boa.
A pesquisa também quis saber o nível de endividamento das pessoas: 42% responderam não ter dívidas; 33% disseram ter dívidas compromissos financeiros, mas sem que os mesmos estejam atrasados e 25% responderam ter dívidas/compromissos financeiros, com atraso há mais de 30 dias.
Com informações vermelho.org



