Investigação indica que fundador do Banco Master custeou jantares do senador e de sua companheira em restaurantes de luxo nos Alpes Franceses. Corporação vê “convergência de interesses”
A Polícia Federal (PF) identificou que o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, custeou despesas de alimentação do senador Ciro Nogueira (PP-PI) e de sua companheira, Flávia Rosalen, durante uma viagem aos Alpes Franceses.
Segundo a investigação, os gastos somaram R$ 122,1 mil em dois restaurantes de luxo localizados na estação de esqui de Courchevel, na França.
As informações constam em relatórios produzidos no âmbito das apurações sobre um suposto esquema de corrupção envolvendo o Banco Master. De acordo com a PF, mensagens extraídas de celulares apreendidos indicam que Vorcaro autorizou o pagamento das despesas do parlamentar durante a estadia no exterior.
Em uma conversa registrada em 23 de janeiro de 2025, Léo Serrano, apontado pelos investigadores como intermediário das operações, questiona o banqueiro sobre a continuidade dos pagamentos. “É pros meninos continuarem pagando conta dos restaurantes do Ciro/Flávia até sábado?”, escreveu. Em resposta, Vorcaro teria autorizado os gastos. “Sim. Depois levam meu cartão para St. Barths”, respondeu, segundo a transcrição incluída no relatório policial.
A PF cruzou as mensagens obtidas nas investigações com registros de cartões de crédito e identificou duas despesas atribuídas ao grupo. Uma delas foi realizada no restaurante La Soucoupe, no valor de R$ 63,6 mil. A outra ocorreu no Le Tremplin, totalizando R$ 58,5 mil. Os cálculos foram feitos com base na cotação do euro vigente em janeiro de 2025.
Os estabelecimentos ficam em Courchevel, um dos destinos de inverno mais exclusivos da Europa, conhecido por receber empresários, celebridades e autoridades de diversos países. Para os investigadores, os pagamentos reforçam indícios de que a relação entre Vorcaro e Ciro Nogueira extrapolava uma amizade pessoal e envolvia interesses convergentes.
Conjunto de benefícios a Ciro
No relatório, a Polícia Federal afirma que o custeio de refeições fazia parte de um conjunto mais amplo de benefícios oferecidos ao senador. Segundo a corporação, as vantagens incluiriam voos em jatinhos particulares e outros agrados financiados pelo empresário.
“As vantagens indevidas, in natura, pagas por Daniel Vorcaro ao senador Ciro Nogueira não se encerravam apenas no custeio de voos em jatos privados”, registra a PF, ao sustentar que existia um “pacote completo de mimos” direcionado ao parlamentar.
Até o momento, as defesas dos citados não se manifestaram sobre as novas conclusões da investigação.



