ONU confirma: Israel é culpado de genocídio em Gaza

Declaração das Nações Unidas confirma uma das maiores agressões da história da Humanidade

Uma comissão de inquérito da Organização das Nações Unidas (ONU) concluiu que Israel cometeu genocídio contra palestinos na Faixa de Gaza. A denúncia consta em um relatório publicado nesta semana e divulgado, que indica que quatro dos cinco atos tipificados como genocidas no direito internacional foram praticados desde o início do genocídio em outubro de 2023.

De acordo com a Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre os Territórios Palestinos Ocupados, há evidências de assassinatos em massa, danos físicos e psicológicos graves, imposição de condições de vida letais e medidas para impedir nascimentos, caracterizando crimes previstos na Convenção de Genocídio de 1948.

Evidências apresentadas pelo relatório

O documento sustenta que autoridades israelenses e suas forças militares realizaram ataques sistemáticos contra civis, destruíram infraestruturas vitais e bloquearam a entrada de ajuda humanitária, água, energia e combustível na região. Também cita a destruição da maior clínica de fertilidade de Gaza, em dezembro de 2023, que teria levado à perda de milhares de embriões e amostras reprodutivas.

Segundo a presidente da comissão, Navi Pillay, ex-alta comissária da ONU para os direitos humanos, as declarações de líderes israelenses reforçam a acusação. Ela destacou em entrevista à BBC:

“Já em 7 de outubro de 2023, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu prometeu infligir ‘vingança poderosa’ em todos os lugares onde o Hamas estivesse. Sua fala sobre a ‘cidade maligna’ implicava que toda Gaza seria responsabilizada e alvo dessa retaliação”.

Pillay afirmou ainda que “a intenção genocida foi a única inferência razoável” diante do padrão de conduta observado em Gaza.

Reação de Israel

O Ministério das Relações Exteriores de Israel rejeitou categoricamente as conclusões, classificando o relatório como “distorcido e falso”. Um porta-voz acusou os três especialistas da comissão de agirem como “representantes do Hamas” e de basearem suas análises em “falsidades”

Em resposta, autoridades israelenses insistiram que as operações têm como objetivo exclusivo enfraquecer o Hamas, e não a população palestina. O governo afirma ainda que suas forças atuam em conformidade com o direito internacional, adotando medidas para reduzir riscos a civis.

Contexto do genocídio e implicações internacionais

A ofensiva israelense em Gaza resultou na morte de ao menos 64.905 pessoas até agora, conforme dados do Ministério da Saúde do território, administrado pelo Hamas. Além disso, mais de 90% das moradias foram danificadas ou destruídas, e sistemas de saúde, água e saneamento entraram em colapso.

O relatório atribui a responsabilidade do genocídio diretamente ao Estado de Israel, apontando falhas em prevenir e punir os crimes. O documento também alerta que todos os países signatários da Convenção de Genocídio têm a obrigação imediata de agir para “prevenir e punir” tais atos, sob risco de se tornarem cúmplices.

Organizações internacionais de direitos humanos, acadêmicos e especialistas independentes já vinham acusando Israel de genocídio. Paralelamente, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) analisa um processo aberto pela África do Sul, que acusa Tel Aviv de genocídio — ação que o governo israelense considera “infundada e baseada em alegações falsas”.

O debate amplia a pressão internacional sobre Israel, que se vê cada vez mais isolado diante das denúncias formais em instâncias multilaterais.

Com informações do brasil247

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